Lembro-me tão claramente de pensar, quando criança, que a vida seria melhor e mais divertida quando eu fosse maior, afinal eu teria liberdade para fazer minhas próprias escolhas e não precisaria pedir permissão para experimentar o mundo...
Como era emocionante imaginar que eu poderia sair quando bem entendesse, ir a qualquer lugar e conhecer pessoas novas... Fazer minhas próprias regras e viver como eu quisesse... Era um sonho lindo e eu mal podia esperar para chegar lá!
Na adolescência, lembro-me da angústia de passar pelas transformações corporais - esquisita, desengonçada e espinhenta - tentava lidar com a formação dos grupinhos sociais, nos quais eu parecia não conseguir me encaixar de jeito nenhum...
Foi uma luta difícil equilibrar a balança entre a necessidade de descobrir minha identidade e individualidade enquanto sentia uma enorme necessidade de me sentir pertencente a algum daqueles grupos.
Bem, esses foram anos bem longos...
Eu ficava imaginando que seria na faculdade que enfim eu realmente conseguiria encontrar meu lugar. Eu seria bonita, teria amigos incríveis, estudaria aquilo que realmente amava e, então, seria feliz.
Quando a faculdade chegou fiquei absolutamente encantada, parecia que finalmente tinha chegado o momento em que minha vida seria maravilhosa...
Entrei para o curso dos meus sonhos, sentia-me
mais livre e o tempo passava muito rápido.
Mas nem tudo foi como imaginei. No fim das contas, me vi novamente ansiando que o tempo passasse, que os semestres e as matérias chatas acabassem, que a apresentação do TCC passasse, para que então eu pudesse ser feliz exercendo minha profissão...
E essa roda permaneceu girando em minha vida.
Parecia a felicidade estava sempre um pouco para frente, alguns passos além de onde eu estava em minha caminhada e, cada vez que eu avançava, ela me escapulia...
Parecia que para ser feliz eu precisava ser mais velha, mais bonita, precisava me formar, precisava de um carro ou de mais dinheiro, de mais amigos...
Sempre precisava de mais alguma coisa.
Eu vivia com pressa e não encontrava a felicidade.
Há alguns anos comecei a me dar conta de que essa sensação de pressa me inundava - como uma onda avassaladora - eu sentia que precisava correr e fazer muitas coisas para que pudesse alcançar a felicidade.
Não sei se você já sentiu isso...
Eu me sentia muita assustada e inquieta - parecia muito difícil ser feliz.
Hoje, curiosamente, eu descobri que é quase fácil ser feliz...
Pelo menos, deixou de ser tão difícil, como eu imaginei por tantos anos...
Eu percebi que - por muito tempo - imaginava que a felicidade dependia das minhas conquistas - das coisas que eu fazia ou que eu possuía ou que ainda precisava possuir: títulos, carros, empregos, dinheiro...
Eu tenho aprendido, a cada dia, que para ser feliz é preciso pouco...
É preciso tempo!
(pelo menos no meu caso, não sei para você...)
É preciso olhar para dentro - não para fora!
E é preciso saber contemplar!
Eu descobri que posso ser feliz em qualquer momento da minha vida, independentemente de qualquer coisa, se eu souber olhar para a minha caminhada e encontrar as coisas belas que lá estão presentes...
Estar viva, amar e ser amada pelas pessoas
que me são queridas, exercer o ofício que
eu escolhi com paixão e devoção,
ler um bom livro ou viajar...
A felicidade não encontra-se do lado de fora, nas coisas, mas no mundo que construímos dentro de nós e na busca pela autorrealização de nossos dons e potenciais.
Ela está sempre perto, mas se percorremos a jornada da vida apressadamente, passamos ao seu lado, sem nem ao menos nos darmos conta.
Finalmente, fui compreendendo que a felicidade é exigente, requer atenção e comprometimento!
Ela não se dá de graça.
É uma dama elegante... Se não for adequadamente cortejada, cultivada, não demora a ir embora.
Quando olho para minha história percebo muitos momentos em que ela, a felicidade, me visitou e eu não soube recebê-la, contemplá-la, fui apressada e ela, ofendida, foi embora...
Será que com você isso já aconteceu? Uma oportunidade de emprego, uma pessoa especial ou um momento com você mesmo no qual a Felicidade te visitou e, não sendo devidamente recebida, foi-se embora?
Bom, acredito que fomos aprendendo a lidar melhor - uma com a outra - nesses últimos anos...
Aprendi a ter muito carinho e respeito por suas visitas... É preciso estar pronta para recebê-la, com um café quente e um convite para voltar outra vez...
Afinal, ainda hoje, muitas vezes, sou visitada por aquela onda avassaladora - da pressa - fico inundada me medo, de angústia e de ansiedade e nós duas nos desencontramos.
Acredito que esse, afinal de contas, é o resumo da ópera... Nós estamos ficando mais íntimas, estamos conhecendo as formas e os jeitinhos de nos aproximarmos e também como promover o reencontro depois da provação das ondas...
É isso, eu ainda estou aprendendo.
E você, se puder, me conte como têm experimentado a felicidade.
Desde que me foi ensinado o que está tão docemente descrito nesse texto eu tenho pensado sobre esse assunto todos os dias. Minha vida tem sido muito mais bela desde que eu aprendi a necessidade de se esforçar pela felicidade, de buscá-la. Sinto que ainda estou no comecinho desse aprendizado que espero durar pelo resto da vida e acima de tudo sinto-me agradecido por ter conhecido alguém que tenha me passado essa ideia tão sábia.
ResponderExcluirMuito obrigado, Daniela.
Hugo, estou emocionada lendo seu comentário! Sinto que devo me desculpar por demorar tanto a fazê-lo, mas estive de férias do blog nesse mês de julho...
ExcluirGostaria de dizer que ao ler o que você escreveu me senti extremamente feliz e saudosa...
Obrigada pelas doces palavras e por saber que, de alguma forma, ainda continuamos trilhando os mesmos caminhos juntos, em busca da felicidade. Eu sei que hoje você tem muitos recursos para isso.
Um beijo ENORME!