sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Sociedade e a jornada da consciêcia

Ao longo dessa semana por diversas vezes me vi passando por situações e por encontros terapêuticos que me fizeram refletir sobre a relação entre os nossos conceitos culturais e a jornada de desenvolvimento da consciência...

Bom, e o que eu quero dizer com 'conceitos culturais'?  Eu estou falando sobre os parâmetros que utilizamos - enquanto sociedade - para determinar o nosso nível de sucesso e felicidade...


Na cultura ocidental, Brasil, ano de 2017, consideramos uma pessoa bem-sucedida aquela que tem um bom tanto de dinheiro no banco, que tem um carro bacana na garagem, que mora em uma super casa e em um endereço chique, que tem um corpo magro e musculoso, que tem um trabalho interessante - onde tenha um status privilegiado, que poste fotos jantando nos melhores restaurantes da cidade, que tenha filhos lindos - que façam aula de duas ou três línguas, que sejam excelente em algum esporte e frequente uma escola cara...

Ou alguém que tenha fama, que vá nas festas mais badaladas da sociedade, que use as marcas de roupa/maquiagem/aparelhos eletrônicos mais caros e sofisticados do mercado...

Ou, talvez, para você alguém bem-sucedido seja aquele que faça um monte de viagens pelo mundo ou alguém que tenha várias publicações acadêmicas e científicas ou mesmo alguém que tenha trezentos likes e muitos seguidores nas redes sociais...

E não, eu não estou falando isso como uma crítica, nem como um julgamento, mas olhe bem, perceba com atenção se esses elementos não evocam em você a percepção de alguém que está se dando bem na vida...

Por que para mim sim! - alguém que esteja desse jeito é alguém que deve estar muito bem e muito feliz... 
Essa pessoa tem tudo isso em suas mãos!



Bom, eu não sei se foram exatamente esses, mas algum desses parâmetros culturais você e eu internalizamos para medir o nosso nível de sucesso.

Seja lá quais forem os seus e - acredite - eu tenho os meus também - nós estabelecemos alguns referenciais que nos dizem se estamos indo bem ou mal na vida.

Todos nós crescemos e somos ensinados que é conquistando essas coisas que serem felizes - 

conquistando um bom salário;
conquistando a casa e o carro;
conquistando um 'bom casamento';
conquistando uma 'família';

E aí nós criamos internamente essa lista, com todos esses itens e passamos a vida toda tentando completá-la, para então podermos dizer:
- Pronto, agora sim eu posso ser feliz!

Bom, eu não sei se foi assim com você, mas comigo definitivamente foi! 

Eu tinha essa lista prontinha:
terminar o ensino fundamental e médio com as melhores notas - ok!
entrar para uma faculdade de psicologia - ok!
formar com excelência no curso de psicologia - ok!
iniciar a pós-graduação imediatamente depois - ok!
casar - ok!
ter um consultório terapêutico - preferencialmente lotado de clientes - ok!

E assim a lista continuava e continuava com um monte de outros itens...

E parecia que o sentido da vida era correr louca e apressadamente atrás de cada um desses 'OKs' para colocar na frente de cada item...

Mas ao mesmo tempo eu percebia que eu não estava feliz!
Muito pelo contrário, eu me sentia cansada, esgotada na verdade, e cada vez acrescentava mais itens à minha lista e me sentia faminta pela prometida felicidade que parecia não chegar...

Claro - existiam sim momentos de felicidade, mas a tal FELICIDADE - aquela que vem no final da história, 'foram felizes para sempre', essa felicidade que dizem que vamos alcançar, parece que eu não sentia ela chegando.

E aí, quando comecei a trilhar a minha jornada de evolução da consciência, eu fui entendo que esse parâmetros culturais - na verdade - não tinham muito a ver comigo, com que eu sou, com a minha essência. 

E isso foi muito esquisito, porque eu cresci acreditando com toda a certeza que eram essas coisas que eu precisava, que o objetivo da minha vida era conquistá-las.

Então, e agora? Como diabos eu conquistaria tal da felicidade? Se não são essas coisas - o que é então?

Quando eu comecei, a duras penas, compreender que esses padrões não eram coerentes com a minha essência e pude ir me desconectando deles, eu fui descobrindo o que - para mim - de verdade, me fazia feliz, e aí a minha lista foi mudando... 



- um pouco de dinheiro para me manter e me permitir viver nesse mundo...
- um carro que me permita locomover por aí...
- sim, claro, algumas viagens, um corpo razoavelmente bacana...
(vejam - a lista ainda tem esses itens!)

mas esses passaram para o meio e final da lista.

Hoje, os primeiros itens da minha lista incluem:

- estar conectada à minha essência;
- viver de uma forma tal que eu possa ser coerente e autêntica comigo mesma;
- tornar cada dia, cada momento, um oportunidade de crescimento e transformação para o meu espírito e evolução da minha alma.
- disponibilizar a minha luz e os meus talentos para a evolução das pessoas e do Universo;

A medida em que eu pude me desconectar dos parâmetros culturais, pude então construir uma lista muito mais verdadeira para mim, muito mais coerente com que eu sou e aí, é claro, pude viver de forma mais autêntica, uma vida que é - de fato -  significativa para mim, uma vida em que cada dia eu sinto que estou cumprindo a minha missão, o meu propósito nesse mundo.

Por isso eu acredito que a verdadeira alegria, a felicidade profunda, deriva de viver uma vida autêntica e coerente com a nossa própria essência.

 

Viver des-conectado dessa essência mais profunda é o que tem levado a tanto sofrimento no mundo. Tantas e tantas pessoas vivem perdidas de si mesmas, agarradas a esses ideais falsos de sucesso e felicidade que mal param para olhar o que é que de fato as fazem se sentir realizadas...

Todos os dias, em meu consultório, eu vejo pessoas nessa batalha e quão grande é o sofrimento delas!



Essa jornada, essa conversão de valores, não é fácil!

Não é algo que acontece em um dia ou uma semana - nós levamos anos construindo essa ideia e não é simples desapegar dela. Mas no final das contas, no seu último dia de vida, no que é que você vai pensar?

- naquele último relatório que não completou?
- na Mercedes que você comprou ou não comprou?
 ou 
- nos momentos em que se sentiu em paz consigo mesmo?
- nos momentos que compartilhou com sua família e pessoas amadas?
- nos momentos que em se sentiu conectado com uma força divina?

"A verdadeira felicidade consiste em viver com consciência e autenticidade" 
(Shefali Tsabary)

Ontem mesmo eu e uma cliente estávamos conversando sobre isso - o quanto ela percebia que seu caminho para a felicidade não era esse da cultura, mas como era difícil assumir um rumo diferente, porque ninguém a volta dela pensava assim, ninguém entendia e ainda a chamavam de louca.

E sim, eu entendo, eu também passei por isso quando converti radicalmente a minha forma de viver - e até hoje isso continua acontecendo - não tem problema!

Essa é uma jornada solitária, é nadar contra a maré, todos os dias, o tempo todo.

É uma verdadeira prova de fogo!

Mas depois de atravessar esse deserto, 
esse momento de medo/dúvidas/incertezas/solidão,
 do outro lado- você encontra a sua verdade, a sua liberdade, a sua felicidade. 

E quando chegar lá você vai perceber que não está tão sozinho assim, encontrará outras almas, espíritos irmãos, que também trilham essa jornada do desenvolvimento espiritual.

E como é bom viver esse encontro!

Eu tive o privilégio de compartilhar dessa caminhada com algumas pessoas muito especiais e, sempre que estamos juntas, sinto a minha bateria, a minha energia, a minha fé, serem recarregadas...

Então acredite!
Sim, é possível!
Sim, vale a pena!

Seja louco - ouse experimentar esse caminho - a jornada de expandir a sua consciência e conectar-se com a sua essência!

Juntos, com consciência, podemos transformar o mundo!

💖💖💖💖💖💖💖💖💖💖💖💖💖

Com todo meu carinho,
psicóloga Daniela Elias

domingo, 3 de dezembro de 2017

Como você AMA?

"O amor acolhe o absurdo e a graça da condição humana" 
(Beatriz Cardella, 2009).

Alguma vez você já pensou em como você ama?


Parece uma pergunta estranha né? 

Nós - enquanto sociedade - falamos de amor em filmes românticos, falamos dele nas músicas e no teatro, mas pouco falamos de AMOR no dia-a-dia das nossas relações.

Como psicoterapeuta eu testemunho muitas pessoas chegarem ao meu consultório com muitas histórias, crenças e dúvidas sobre isso...

histórias de amor - carregadas de dor e sofrimento - em seu passado ou em seu presente...

crenças - conceitos à respeito do que o amor é e como eles o experimentam em suas vidas...

dúvidas - do porquê - já que está tudo claro e entendido sobre o amor - eles ainda se sentem tão infelizes...

Depois de ouvir muitas, muitas pessoas falando sobre amor e  de muito pensar e refletir, algo foi ficando claro para mim:

nós temos uma necessidade muito grande de nos sentirmos amados, 
essa é uma necessidade emocional tão primária e fundamental para a nossa sobrevivência psíquica quanto o ar e a água são necessários para a nossa sobrevivência física/biológica.

Nós - humanos - simplesmente precisamos dele para existirmos e funcionarmos emocionalmente.


Culturalmente temos essa ideia de que uma outra pessoa vai satisfazer essa nossa necessidade fundamental e aí estaremos completos, realizados, nutridos e felizes.

Assim, entramos em diversos tipos de relação esperando que nossos namorados, nossos cônjuges, nossos filhos, nossos amigos, nos preencham de amor - como se fossemos um leito de um rio seco e essa outra pessoa fosse nos encher de vida e nos completar naquilo que estava nos faltando.



vem o amor e...


Ah, que imagem linda...
Tão sedutora e tão bonita que não percebemos a grande armadilha em que estamos estrando!

Amar desse jeito nos torna DEPENDENTES! 
Passamos a depender que o outro nos preencha de amor e se ele - por alguma razão - não puder ou não quiser fazer isso, nos sentimos traídos, abandonados, vazios...

Amar desse jeito ESCRAVIZA o outro!
Porque passa a ser responsabilidade dele fazer com que eu me sinta satisfeita em uma necessidade que é minha.

Percebe a loucura? Essa é uma forma adoecida de amar.

Isso é o que consiste o AMOR CONDICIONAL:

- eu te amo se você fizer com que eu me sinta amada;
- eu te amo se você atender as minhas necessidades e expectativas;
- eu te amo se você acatar as minhas demandas.

Então nós amamos nosso namorado se ele corresponder à minha imagem do cavaleiro no cavalo branco;

Nós amamos nossos cônjuges se eles concordarem em fazer tudo como nós acreditamos que devem ser feitas;

Nós amamos nosso filhos se eles forem quietos, obedientes e condescendentes com o que nós lhes dissermos.

- Eu te amo se você...

nosso amor se torna condicionado ao que a outra pessoa faz por nós.

Isso acontece quando nós - que perdemos o contato com a nossa essência e a fonte abundante de amor que corre dela - projetamos nossa necessidade não atendida sobre os outros.

Nós - que fomos criados de maneira inconsciente - por pais que também tinham essa mesma necessidade não atendida e não souberam nos ensinar a nos nutrirmos em nosso próprio amor, agora seguimos reproduzindo em nossa vida essa mesma forma adoecida de relacionar.

E aí, quando vemos essa fantasia se romper - quando o outro não nos ama da forma como esperávamos - entramos em profundo sofrimento.


Ninguém veio ao mundo com a obrigação de te completar!

Amor sem essa consciência é um amor condicional - cheio de expectativas, projeções, demandas e exigências, esse amor rapidamente se transforma em controle e imposições, perpetuando o sofrimento.


É somente pelo portal da consciência da nossa estrutura emocional que podemos cortar as correntes com as quais prendemos o outro nessa forma doente de amar.


E, quando acessamos a nossa essência, descobrimos que existe um rio abundante de amor, do qual podemos nos nutrir


e só então podemos ofertar um amor verdadeiro e saudável para outras pessoas,

pois entendemos que há um amor que já flui em nós, uma fonte que já está cheia e plena - e assim é possível amar sem esvaziar, sem escravizar, sem depender...

É por isso mesmo que
 "o amor acolhe o absurdo e a graça da condição humana", 

ele pode ser fonte de um profundo adoecimento
 - quando amamos condicionalmente -

e também pode ser fonte de nossa maior nutrição e libertação 
- quando amamos conscientemente -

E aí, como você tem amado?

Você já parou para olhar como cuida da sua fonte interna?

Consciência é o único caminho - arrisque-se! Ouse! Olhe para dentro de você!

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Com todo meu carinho,
psicóloga Daniela Elias

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Transcendendo do "papel" de pais para o de guia espiritual de seu filho ou filha

Como você percebe o seu "papel" de PAI ou MÃE? O que isso quer dizer para você?
Ser pai ou mãe quer dizer que você 'têm que':
instruir?
orientar?
têm que 'formar' o seu filho?
têm que dizer a ele quem e como ele deve ser?

Estou verdadeiramente curiosa para saber o que você - que está ai do outro lado - pensa sobre o que quer dizer ser pai ou ser mãe...

O que esse "papel" implica para você?

Quando eu penso sobre o papel de ser pai e mãe - chega um carga muito pesada de obrigação de formar - de criar uma pessoinha - como se fosse sua tarefa pegar um monte de massinha e formá-la ou transformá-la em alguma coisa, nesse caso, em um ser humano - que vai se tornar um adulto, preferencialmente bem-sucedido, com certos princípios (familiares/morais/éticos/religiosos), um bom trabalho, um tanto de dinheiro no banco, uma família própria, etc, etc...

Parece que depende dos pais tornar essa criança em alguém - como se fosse sua responsabilidade construir um quebra-cabeça. Então os pais pegam essas várias peças e começam a montar uma imagem - daquilo que acreditam que é a melhor forma para o seu filho ou filha. 

Eu não sei se essa imagem faz sentido para vocês, mas é muito próxima do que eu vejo quando penso no que a cultura propõe como o "papel" do pai e da mãe.

Mas aí eu fico pensando - quem disse que quando a criança chega ao mundo, às nossas famílias, ela é esse monte de  peças soltas ou desconectadas?

Nós, muitas vezes, nem pensamos na possibilidade de que ela vêm já com um espírito, uma alma própria, que deveria ter o direito inato - garantido pelo próprio ato do nascimento - de existir e de ser quem é. 


Afinal de contas, nós - adultos - não permitimos que ninguém monte o quebra-cabeça de nossas vidas em nosso lugar, nem mesmo tentamos fazer isso com as pessoas à nossa volta - nossos amigos, nossos cônjuges, nossos familiares... 

Mas nos sentimos no direito - e no dever - de fazer isso com nossos filhos.

Me diga, honestamente, você aceitaria alguém dizer o que você deveria ser e como você deveria ser?

Você aceitaria que outra pessoa fosse o arquiteto da sua vida e da sua Essência?

Se você - assim como eu mesma - não aceitaria, se você faz absoluta questão de ser autor do seu próprio processo de vida, porque então não estenderíamos a mesma cortesia às nossas crianças?

Muitos dos clientes adultos com os quais trabalho - que vem me buscar aos vinte, trinta, quarenta, cinquenta anos de idade - vem trabalhar exatamente isso:

suas almas despertam para o desejo de se tornarem autores de sua história, de viverem uma vida mais autêntica e coerente com sua própria essência.

E aí precisamos fazer um trabalho gigantesco e hercúleo de desconstruir todas essas camadas, todas essas configurações, todas essas imagens do quebra-cabeça que foram montadas sobre eles por seus pais e pela sociedade.

Eu testemunho diariamente a dor de meus clientes quando passam pelo difícil processo de DESMONTAR esse quebra-cabeça...




Como seria mais fácil se - desde a infância - nosso espírito fosse visto como SOBERANO e DIGNO, como tendo o direito inato de EXISTIR e SER exatamente como é.

Por isso eu acredito que - ao invés de nos atermos a esse "papel" de pai e mãe - seria muito mais benéfico para a criança se pudéssemos nos colocar como guias espirituais...

O que isso quer dizer? Em primeiríssimo lugar essa postura implica no reconhecimento e profundo respeito ao espirito que habita meu filho ou filha - assim, cabe aos pais legitimar que essa pequena criança já é proprietária de uma essência sagrada e que é seu direito inato crescer e florescer de acordo com o que é autêntico e verdadeiro a ela.

Em segundo lugar, como guias espirituais, precisaremos GUIAR, ou seja, teremos de mostrar limites e regras para protegê-la e cuidar dela, é claro, mas - mais do que isso - nossa função é a de indicar caminhos para o crescimento de seu espírito,  o que é muito diferente de impor - de montar o quebra-cabeças PARA ela - mas sim montar COM ela.

Parceiros caminhando juntos - crescendo juntos.

Nessa perspectiva o seu trabalho - como pai e mãe - é muito mais simples do que você imaginava.

Não é sua obrigação CRIAR nada, tudo o que seu filho precisa já existe dentro dele...

A única coisa que você precisa fazer é criar espaço e oportunidades para que esse espírito se manifeste, cresça e floresça.


Claro, você precisa guiá-lo, precisa colocar limites que o protejam física e emocionalmente, precisa ensinar regras de convivência social... Tem tudo isso...

Mas - o mais importante - é que seu filho precisa da sua continência e do seu suporte para que ele possa manifestar a sua verdadeira essência - que é boa, que é iluminada.

Isso já existem dentro dele, em forma de sementes...

Ele apenas precisa que você ilumine e oriente, que você lhe dê a chance de explorar e experimentar... 

E assim ele encontrará o seu próprio caminho - firmemente ancorado na sua Essência e no relacionamento com você (pai/mãe).


Mas ele terá a oportunidade de já - desde cedo - construir o seu quebra-cabeças de maneira coerente com seu espírito, com a sua própria verdade.

Essa é a proposta, esse é o chamado, essa é a nossa oportunidade de agir preventivamente -
formando seres humanos que já - do início - montem um projeto de vida autêntico e significativo para si mesmos

ao invés de continuar repetindo esses modelos adoecidos e depois ter que passar UMA VIDA TODA desconstruindo e reconstruindo o quebra-cabeças...

Pais - elevem-se!
Sejam luz, sejam guias!

Esse é o maior presente que vocês podem oferecer aos seus filhos e à toda a humanidade...

💖💖💖💖💖💖💖💖💖💖💖💖💖💖💖


Todo meu carinho a vocês...
Psicóloga Daniela Elias

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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Qual é o maior conflito que você tem com seu filho(a)?

Essa é uma das primeiras perguntas que faço às famílias que vem procurar a minha ajuda...


Às vezes ela já é prontamente respondida, 
mesmo antes de as palavras saírem dos meus lábios.

Os pais chegam à psicoterapia infantil  já com uma lista (às vezes gigantesca) de problemas e conflitos.

Algo que costuma chamar muito a minha atenção é a enorme frequência com que essa lista diz respeito unicamente a criança, por exemplo:

- meu filho é mal-educado;
- minha filha é muito agitada;
- meu filho é desrespeitoso comigo;
- minha filha é agressiva;
- meu filho é medroso e tímido;
- minha filha é desatenta ou vai mal na escola;
- meu filho briga muito com os colegas ou com os irmãos.

Essa lista pode continuar por muitos e muitos itens...

E o que mais me encanta é a facilidade com que podemos criar uma série de razões e justificativas muito adequadas para explicar porque a criança está errada e precisa ser consertada...

É simples, é lógico e pronto...

É isso aí mesmo.

E é CLARO que as famílias agem assim, afinal de contas, é exatamente assim que a nossa cultura nos ensina a fazer - observar tudo o que a criança faz de 'errado', criar a tal da lista de coisas a serem 'corrigidas' e nós (adultos) temos todo o direito e dever de fazer isso.



Então, eu entendo PERFEITAMENTE os pais que chegam assim.

E se você aí que está lendo esse texto já fez isso ou ou já pensou assim, não se assuste, não tem problema!
Você está perfeitamente justificado e validado pela nossa cultura...

E não tem problema, não mesmo, mas eu estou aqui para mostrar uma outra possibilidade de olhar para essa situação...

Se você é muito apegado a esses conceitos culturais talvez não queira continuar lendo esse texto, é bem possível que você não vá gostar muito do que eu tenho a dizer...
😅😅😅😅😅😅😅😅

Bom, como eu, e estou falando de mim mesma - Daniela -, acredito que podemos viver a vida de uma forma diferente do que a cultura nos propõe, fico pensando cá com meus botões como seria compreender os conflitos entre pais e filhos a partir de uma perspectiva diferente...

Eu acredito que é o sentido da vida é desenvolver a nossa alma, aumentando a nossa capacidade de conexão com a nossa Essência - o nosso espírito e com a nossa capacidade de amar, de evoluir e transcender a nossa humanidade.

Por isso mesmo, acredito que não é por acaso que atraímos as pessoas para a nossa vida - seja o nosso parceiro conjugal, sejam os nossos amigos e, principalmente, as nossas crianças.
Eu acredito que atraímos para perto de nós exatamente as pessoas que precisamos para nos auxiliar a trilhar o nosso caminho de crescimento e desenvolvimento espiritual 
- ou seja -
nossa alma chama para perto de nós pessoas que vão nos desafiar a crescer e a evoluir em áreas onde ainda estamos precisando nos desenvolver.

Assim sendo, vamos lá...

Qual é o maior conflito que você tem com seu filho(a)?

O que ele ou ela faz que te deixa doido(a)? Irritado? Irado?


Será que é quando ele não te escuta?

Será que é quando ele não te obedece?

Será que é quando ele resiste às suas regras?

Independentemente de qual seja o conflito,
será que isso, por acaso, talvez, possa ter alguma coisa a ver com você?

Sabe porque eu pergunto isso?

porque, como eu disse, a nossa sociedade acredita mesmo que o problema é da criança - ou é a criança -

mas se entendemos que ela é um elemento importante e necessário para o NOSSO processo de crescimento, isso quer dizer que estamos necessariamente IMPLICADOS no conflito que está acontecendo, porque NÓS temos algo a aprender com ela - para o NOSSO próprio crescimento pessoal.

Então, na perspectiva da Parentalidade Consciente, compreendemos que não podemos focar unicamente na criança e qualquer que seja o 'problema' que ela esteja apresentando...

Entendemos que há algo nesse conflito que diz respeito TAMBÉM à família e, assim, há uma lição de crescimento que precisa ser levada muito a sério no trabalho de desenvolvimento interno desse pai e dessa mãe.

E que lindo presente esse que a vida nos oferece...

Temos a incrível oportunidade (e responsabilidade) de crescer, evoluir e transformar o nosso espírito por meio do que acontece na nossa relação com nosso filhos.

Então, meus queridos pais, vocês com quem eu falo com tanto carinho, despertem! 

Abram os seus olhos e os seus corações para essa chance de - por causa e por meio do amor por seus filhos - atenderem a esse convite de transcender e transformarem-se.

Seja qual for o conflito que você tenha com ele, por trás disso e num nível mais profundo, há um convite para que você examine o que em VOCÊ precisa ser revisitado, cuidado, curado para que VOCÊ possa crescer, evoluir e se tornar um ser humano mais inteiro e mais consciente que seus filhos merecem ter como pai e mãe.

Seu filho é a sua maior e melhor oportunidade para a sua evolução humana e espiritual...



Não perca essa chance, porque ela passa rápido.

Um abraço com muito carinho, vibro aqui na expectativa de que vocês cresçam e floresçam na sua mais verdadeira e pura essência...

Psicóloga Daniela Elias.

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