"A família é mais do que a soma de suas partes. O ciclo de vida individual
acontece dentro do ciclo de vida familiar, que é o contexto primário
do desenvolvimento humano. Consideramos crucial essa perspectiva
para o entendimento dos problemas emocionais que as pessoas
desenvolvem na medida em que se movimentam juntas através da vida"
(Betty Carter & Monica McGoldrick, 1995).
Continuando a discussão proposta no texto anterior, o locus primeiro do desenvolvimento emocional da criança é a família...
É por meio das relações que lá são estabelecidas
que a criança vai aprendendo sobre ela mesma - quem ela é
e também sobre como lidar com relacionamentos
e conflitos, é na família que ela vai descobrir como
conviver com o amor, com a raiva, com o medo e com a frustração e é lá que ela vai aprender sobre compaixão e tolerância, perdão e gentileza, erros e acertos.
Então papais, mamães, irmãos, tios e padrinhos, é na relação com vocês e por meio de vocês, que toda a base da identidade da criança será construída!
Que responsabilidade, não é mesmo?
Afinal de contas, vocês constituem - para a criança - instrumentos facilitadores ou dificultadores de seu processo de construção e de autodescoberta.
Segundo Luciana Aguiar (2005):
"o que é relevante no universo relacional de uma
criança não é tanto quem se relaciona com ela, mas como essas relações se dão e
o quanto elas vêm sendo satisfatórias e facilitadoras para o seu desenvolvimento” .
Uma realidade com a qual me deparo constantemente no consultório é a dor e a dificuldade da família em perceber a assumir quando algo não vai bem com uma criança...
Percebo que, muitas vezes, os sintomas emocionais aparecem e a família protela a busca de ajuda dizendo coisas como: "é apenas uma fase", "logo isso melhora" e "é apenas uma bobagem, nada sério"...
E assim as dificuldades emocionais que a criança está enfrentando vão se prolongando, muitas vezes ela vai ficando pior e somente quando entra em um estado de sofrimento agravado é que a família recorre à terapia.
Entendo que muitos pais se sentem culpados e tem medo de contar para alguém que seu filho ou filha está passando por algum problema...
Mas pais, me digam, quem de nós - na vida -
não passa por problemas?
Dificuldades e desafios são parte natural do viver
e seu filho ou filha vai enfrentá-los muitas vezes
ao longo de sua existência...
Por isso mesmo a maior contribuição que você pode prestar a ele ou a ela é estar atento e sensível para notar quando um desses momentos se apresentar, a fim de poder ajudá-lo(a) a passar por essa provação de maneira menos sofrida.
Seu filho(a) PRECISA da sua ajuda
e se vocês precisam de um suporte maior para enfrentar essas dificuldades, não hesite em procurar um profissional...
O psicólogo infantil não está ali para te julgar ou apontar seus erros, muito pelo contrário, sua função é ajudá-lo a compreender o que está acontecendo com a criança e como toda a família pode trabalhar para construir um modo de favorecer a sua recuperação e retomada de seu caminho de desenvolvimento.
Acredite - buscar ajuda e orientação é uma forma de você oferecer saúde emocional à sua criança, é um presente, afinal, vai favorecer com que ele ou ela esteja mais capacitado(a) para enfrentar as dificuldades e desafios que surgirem ao longo de sua vida!
Como diz, belamente, Beatriz Cordella (2009):
"Não é possível vivenciar o amor sem compreender
o sofrimento, pois
ambos se encontram no cerne da condição humana e estão
intimamente relacionados"
Não se assuste com o sofrimento da criança, ele também faz parte da vida...
Psicóloga infantil Daniela Elias
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