quinta-feira, 11 de maio de 2017

A família e seu papel no desenvolvimento emocional da criança - Parte 2

"A família é mais do que a soma de suas partes. O ciclo de vida individual 
acontece dentro do ciclo de vida familiar, que é o contexto primário 
do desenvolvimento humano. Consideramos crucial essa perspectiva 
para o entendimento dos problemas emocionais que as pessoas 
desenvolvem na medida em que se movimentam juntas através da vida"
(Betty Carter & Monica McGoldrick, 1995).

Continuando a discussão proposta no texto anterior, o locus primeiro do desenvolvimento emocional da criança é a família...

É por meio das relações que lá são estabelecidas 
que a criança vai aprendendo sobre ela mesma - quem ela é 
e também sobre como lidar com relacionamentos
 e conflitos, é na família que ela vai descobrir como 
conviver com o amor, com a raiva, com o medo e com a frustração e é lá que ela vai aprender sobre compaixão e tolerância, perdão e gentileza, erros e acertos.

Então papais, mamães, irmãos, tios e padrinhos, é na relação com vocês e por meio de vocês, que toda a base da identidade da criança será construída!

Que responsabilidade, não é mesmo?

Afinal de contas, vocês constituem - para a criança - instrumentos facilitadores ou dificultadores de seu processo de construção e de autodescoberta.

Segundo Luciana Aguiar (2005):

"o que é relevante no universo relacional de uma criança não é tanto quem se relaciona com ela, mas como essas relações se dão e o quanto elas vêm sendo satisfatórias e facilitadoras para o seu desenvolvimento” .


Uma realidade com a qual me deparo constantemente no consultório é a dor e a dificuldade da família em perceber a assumir quando algo não vai bem com uma criança...

Percebo que, muitas vezes, os sintomas emocionais aparecem e a família protela a busca de ajuda dizendo coisas como: "é apenas uma fase", "logo isso melhora" e "é apenas uma bobagem, nada sério"...

E assim as dificuldades emocionais que a criança está enfrentando vão se prolongando, muitas vezes ela vai ficando pior e somente quando entra em um estado de sofrimento agravado é que a família recorre à terapia.


Entendo que muitos pais se sentem culpados e tem medo de contar para alguém que seu filho ou filha está passando por algum problema...

Mas pais, me digam, quem de nós - na vida -
 não passa por problemas?

Dificuldades e desafios são parte natural do viver 
e seu filho ou filha vai enfrentá-los muitas vezes 
ao longo de sua existência...

Por isso mesmo a maior contribuição que você pode prestar a ele ou a ela é estar atento e sensível para notar quando  um desses momentos se apresentar, a fim de poder ajudá-lo(a) a passar por essa provação de maneira menos sofrida.

Seu filho(a) PRECISA da sua ajuda
e se vocês precisam de um suporte maior para enfrentar essas dificuldades, não hesite em procurar um profissional...

O psicólogo infantil não está ali para te julgar ou apontar seus erros, muito pelo contrário, sua função é ajudá-lo a compreender o que está acontecendo com a criança e como toda a família pode trabalhar para construir um modo de favorecer a sua recuperação e retomada de seu caminho de desenvolvimento.

Acredite - buscar ajuda e orientação é uma forma de você oferecer saúde emocional à sua criança, é um presente, afinal, vai favorecer com que ele ou ela esteja mais capacitado(a) para enfrentar as dificuldades e desafios que surgirem ao longo de sua vida!

Como diz, belamente, Beatriz Cordella (2009):

"Não é possível vivenciar o amor sem compreender o sofrimento, pois 
ambos se encontram no cerne da condição humana e estão intimamente relacionados"

Não se assuste com o sofrimento da criança, ele também faz parte da vida...


Psicóloga infantil Daniela Elias

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