quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Momentos de crise.

Vivemos hoje um momento de crise - no sentido original da palavra grega Krisis - circunstância de transformação ou definição de uma situação que se encaminha para um desfecho: a cura ou a morte.

Na dimensão global vivemos uma crise ambiental - nosso planeta, a casa onde habitamos, está em colapso. O aquecimento do planeta; a poluição da água, da terra e do ar; o consumo inescrupuloso dos recursos naturais estão levando todas as espécies à uma grave situação de risco: as nossas vidas - de todos nós - está em perigo!

No âmbito nacional vivenciamos uma grave crise política, econômica e social - estamos subjugados à uma estrutura política que não cumpre sua função última: cuidar da comunidade. Infelizmente essa é a realidade política atual - a corrupção dessas instituições levaram  à uma situação de total desrespeito e desmazelo para com as necessidades mais básicas das pessoas de nosso país. Não há mais qualquer consideração para com a dignidade humana.

E na perspectiva individual percebe-se uma crise dos valores humanos, da saúde emocional e da consciência comunitária. Os princípios que anteriormente regiam a comunidade humana primitiva - respeito, cuidado, tolerância, ética - hoje são subjugados pelo individualismo, ambição, competição... Temos estado cada vez mais ansiosos, deprimidos, inseguros e temerosos... Assim, nos fechamos em nossas vidas individuais e só conseguimos pensar em nós mesmos... Já não vemos mais os Outros à nossa volta.

A própria noção de comunidade - no sentido de comunhão ou coesão entre indivíduos - já não faz mais parte de nossa experiência cotidiana... 


Qual foi a última vez em que olhamos ao nosso redor e
 consideramos as pessoas à nossa volta como parte de nossa
 própria vida?

Qual foi a última vez que olhamos amorosamente para o nosso planeta: para a água que consumimos ou para o lixo que o polui e sentimos na pele que isso diz respeito também a mim?


Não se pode salvar o planeta, nem a comunidade, sem antes salvar o homem! É só pela transformação de cada um de nós que todas as outras dimensões podem ser alteradas.


A transformação do MUNDO começa pela mudança de cada SER HUMANO.


E por isso mesmo é tão importante resgatar o sentido original da palavra Krisis - momento de definição, de desfecho. Assim, podemos, precisamos e devemos repensar nossa postura diante do mundo, da comunidade humana e diante de nossa própria vida!
Pois é agora, e somente agora, que podemos optar por um novo caminho - temos a chance de escolher a cura! 
De criar um novo tipo de vida...


Os caminhos estão à nossa frente:
Cuidar do planeta - nossa casa...
Cuidar da comunidade - nossa família humana...
Cuidar de nós mesmos - de nossa consciência, de nossos valores, de nossa saúde emocional...

Esse é o momento crítico e também a nossa grande oportunidade de começarmos a escrever uma nova história para nosso planeta, nossa comunidade humana e nossas vidas.



Precisamos ouvir, em meio à tanta dor e turbulência que vivemos agora, esse convite que esta sendo sussurrado às nossas almas, clamando desesperadamente pela oportunidade de gerar uma nova vida, mais significativa...


A mudança e a transformação do mundo, dependem de uma escolha pessoal de cada um de nós!

Escute esse convite, cuide de sua alma, e assim, cuide também do mundo...


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O sofrimento do homem contemporâneo

Que impactante olhar para as pessoas, para o mundo, e ver o estado de sofrimento em que a humanidade se encontra...
Não que o sofrimento seja uma realidade estranha ao homem, mas parece que vivemos um tempo de tamanho adoecimento emocional que acaba constituindo uma novidade.

Fato é que nunca antes precisamos correr tanto: 

Contra o relógio - pois as horas do dia (e às vezes da noite) nunca parecem ser suficientes para darmos conta de todos os compromissos... 


No trabalho - que hoje é muito mais um obrigação cansativa com a finalidade de pagar as contas do que a realização de uma vocação que gera felicidade e satisfação à alma.

Nas relações - parece que não sobra mais tempo para uma conversa tranquila sobre como foi o dia com o cônjuge, para brincar os filhos no final da tarde, que dirá então para visitarmos pessoas queridas (amigos ou familiares), a não ser nas datas comemorativas (se tivermos sorte!).

Ainda assim, espera-se que consigamos ser super bem sucedidos na carreira, escola ou faculdade; ter relações (namoros, casamentos, amizades)  harmoniosas e amorosas; criar os filhos perfeitamente; ter tempo de ir à academia e ter um corpo sarado; dormir oito horas por noite e ainda estar feliz e equilibrado - como vendido pelas muitas postagens das redes sociais.

Imagino que nunca antes tivemos que lidar com tantas cobranças e exigências simultaneamente.

Não por acaso temos nos apartado de realidades tão fundamentais para nosso equilíbrio e saúde emocional:
  • perdemos o tempo de estarmos conosco e cuidarmos de nós mesmos.
Nem sabemos mais como fazer isso - nos afastamos de nossas dimensões profundas e essenciais:

Quem sou eu?
O que é importante para mim?
Como quero viver minha vida?

Somente quando paramos para contemplar a nós mesmos, descobrindo o que temos de facilidade e de dificuldade, como temos vivido e do que estamos precisando cuidar é que podemos fazer escolhas que nos promovam uma vida mais significativa.

Os males do homem contemporâneo se constituem pelo profundo afastamento de si mesmo, vivendo de uma aparência na qual tenta cumprir todas essas demandas e não vive conforme sua própria essência.





A saúde consiste exatamente em viver harmoniosamente em acordo com o que Sou.

É nossa missão recuperar nossa vida, plena, verdadeira, significativa.


Para isso é preciso coragem e persistência - é um esforço, é mais luta que descanso, mas somente assim é possível construir mais qualidade de vida, uma vida que vale à pena ser vivida.

Podemos escolher como querermos viver, essa é a nossa responsabilidade, pois somos os únicos capazes de escrever nossa própria história.


quarta-feira, 9 de março de 2016

A pessoa tímida e suas dificuldades...

A pessoa tímida é aquela que sofre por ter dificuldade em agir e se expressar diante de determinadas situações, como por exemplo - falar ou comer diante de outras pessoas, 
apresentar trabalhos em ambientes acadêmicos ou profissionais, conhecer e conversar com pessoas desconhecidas...

O tímido enfrenta grandes desafios e lutas que, muitas vezes, não podemos ver...
Situações que podem parecer simples, para eles, são verdadeiras batalhas.

O que é significativamente marcante no estado de vergonha "normal" que todas as pessoas experimentam eventualmente, é que a pessoa pode se sentir brevemente embaraçada ao começar uma apresentação em frente a um grande publico, mas logo supera esse momento e prossegue normalmente com a sua atividade. A pessoa tímida experimenta a vergonha em um grau muito mais intenso, sendo que esse desconforto pode variar desde um incômodo até a completa paralisação do indivíduo.



O sentimento de vergonha desempenha um importante papel regulador em nossa vida - permitindo-nos avaliar a adequação ou não de alguma ação que iremos executar (Rinaldi, 2010).


Entretanto, se esse sentimento é experimentado com proporção tão grave que a pessoa fica prejudicada em suas ações cotidianas, então ela é considerada como vergonha tóxica. Nesse contexto, a pessoa fica imobilizada, não consegue lidar nem com a enorme pressão que sente internamente, nem com a situação externa - com o que está acontecendo no ambiente.

O ser humano tímido, ou inseguro, sente que não tem recursos internos para manejar as situações de sua vida, assim, vê a si mesmo com muita crítica e auto-reprovação. Essas pessoas são muito sensíveis e bastante desconfiadas, têm medo dos outros ou de qualquer um que represente uma figura de autoridade.



Para ajudar os tímidos, é preciso uma grande dose de paciência e carinho, pois suas conquistas vão acontecendo devagar e aos pouquinhos, é importante ensiná-los que cada pequeno êxito - seja cumprimentar um colega de trabalho ou apresentar-se para uma entrevista de emprego, são passos importantes na direção de seu crescimento pessoal.

Mesmo um elogio sincero pode ser fonte de profundo constrangimento e desconforto, porque eles tendem a não se sentirem compreendidos.

Desmerecer ou exigir demais dos tímidos é uma sentença de morte!
Seja para a relação com a pessoa, seja para aquele pequeno avanço que ele conseguiu...


Se você é, ou conhece uma pessoa tímida, é importante aceitar-se (ou aceitá-lo) assim como é! Afinal, o tímido é alguém que sofre muito, que recorrentemente está impossibilitado de crescer e realizar muitos de seus potenciais porque se sente impedido pela timidez.

Procure ajuda!

O ser humano tímido consegue desenvolver-se muito quando cuida de suas dificuldades. 

A vida não precisa se  resumir à essa sensação de aprisionamento!








Novo consultório

Boa dia pessoal, vim informar que estou atendendo em um novo endereço no Setor Bueno. O espaço ficou lindo e pronto para receber vocês. Atendo crianças, adultos e casais. Terapia é essencial ❤

Mais informações por inbox ou 8178-7603 (WhatsApp)

"Percebi que o conhecimento de mim mesma é de minha exclusiva responsabilidade, do mesmo modo que sou, como todos somos, a única responsável por minha vida, meu destino, minha saúde, meu corpo, minhas emoções e meus pensamentos" (Sharp, 1997).


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

A dor que vem da alma...

Esbarrei nesse texto há alguns dias atrás, não sei ao certo de quem é, não há referência consistente, mas de qualquer forma, me renderam algumas reflexões.... 



"A enfermidade é um conflito entre a personalidade e a alma.

O resfriado escorre quando o corpo não chora.

A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições.

O estômago arde quando as raivas não conseguem sair.

O diabetes invade quando a solidão dói.

O corpo engorda quando a insatisfação aperta.

A dor de cabeça deprime quando as duvidas aumentam.

O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar.

A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável.

As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.

O peito aperta quando o orgulho escraviza.

A pressão sobe quando o medo aprisiona.

As neuroses paralisam quando a "criança interna" tiraniza.

A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.

Os joelhos doem quando o orgulho não se dobra.

O câncer mata quando não se perdoa e/ou cansa de viver.

E as dores caladas? Como falam em nosso corpo?

A enfermidade não é má, ela avisa quando erramos a direção.

O caminho para a felicidade não é reto, existem curvas".


Pensando sobre esse texto, lembrei-me do que diz Jorge Ponciano Ribeiro sobre o adoecimento, que ele refere como sendo uma cisão - uma ruptura - na harmonia de nossos sistemas internos. 

Nós, seres humanos, funcionamos por meio de quatro dimensões básicas:

  • pensamentos;
  • sentimentos; 
  • sensações;
  • e nossas ações.


Se uma dessas dimensões não está funcionando em equilíbrio  com as nossas necessidades e com as demandas de nossa vida, acabamos adoecendo.

Dessa maneira, se há alguma perturbação nesse equilíbrio, ou seja,quando o que pensamos, sentimos ou fazemos não está coerente com o que realmente precisamos, as doenças físicas se tornam uma válvula de escape. 

Pois se não conseguimos racionalmente encontrar saídas ou respostas adequadas para resolver nossos problemas, o corpo usa a linguagem da dor como tentativa última de nos fazer parar e ouvir que algo não anda bem...



Por isso mesmo, o adoecer tem também um lado positivo, pois funciona como uma sirene de alerta, um aviso difícil de ignorar quando tantos outros sinais nós talvez não tenhamos percebido...

A dor no corpo surge quando ignoramos a dor da alma

Se sua garganta dói, se o estômago arde, se a dor de cabeça te abate...
Talvez seja a alma pedindo para ser cuidada.



Daniela Elias N. R. da Silva


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Relações de intimidade e expectativas


Tenho percebido no consultório uma quantidade cada vez maior de pessoas profundamente decepcionadas nas suas relações de intimidade por causa de expectativas que têm para com o outro - pais, filhos, irmãos, cônjuges, amigos, ficantes, etc.

Curiosamente, muitas vezes, ao nos relacionarmos com outra pessoa não levamos em conta a sua totalidade como pessoa, mas apenas aquelas partes que nos agradam... Assim, alguns aspectos dela ficam quase que como "apagados" - na verdade ficam em segundo plano - e assim, esperamos que essa pessoa seja ou faça coisas que não são condizentes com quem ela realmente é...

Por exemplo, uma mãe que tem um filho extremamente talentoso para artes e música mas deseja muito que ele seja um médico ou uma mulher que se casa com um homem bagunceiro mas espera que ele se dedique à limpeza e organização da casa, etc... são pessoas que estão fadadas a se frustarem em suas expectativas...

Essa frustração inevitavelmente acontecerá porque ela espera do outro algo 
que não corresponde aos seus potenciais ou esbarra em suas limitações.

Assim, em uma relação, precisamos apreciar tanto as qualidades, bem como os limites da pessoa que amamos. Pois quando fazemos isso, podemos reconhecer cada vez mais profundamente quem ela é, e assim, ter um vínculo mais genuíno - aceitando, valorizando e protegendo suas características singulares.

Dessa forma, é possível se colocar em estado de disponibilidade amorosa, não pressupondo habilidades irrealistas, mas reconhecendo as necessidades da pessoa amada, acolhendo as diferenças entre nós e auxiliando o seu crescimento...

É claro que algumas habilidades podem ser construídas - o homem bagunceiro pode ajudar a organizar a casa, mas essa provavelmente não será a maior prioridade de sua vida...
Outras precisam ser revistas e aceitas - talvez essa criança jamais irá se tornar um médico, 
ou se torne um médico infeliz, ou se torne um músico e seja feliz...

O amor permite-nos perceber e participar da vida do outro, respeitando-o  e favorecendo seu crescimento pessoal e, consequentemente, da relação.

Talvez seja um bom momento para pensar:

O que você têm esperado dos outros?

domingo, 17 de janeiro de 2016

Terapia - um processo de reconstrução.



Terapia é um lugar para onde vêm as pessoas que tem o coração ferido, machucado ou despedaçado...

É o lugar para onde vêm as pessoas que amaram e não foram correspondidas...

É o lugar para onde vêm as pessoas que tem medo ou estão assustadas...

É o lugar para onde vêm as pessoas que já não têm fé em
si mesmas ou nos outros...

É o lugar para onde vêm as pessoas que já não encontram mais o caminho para acessar suas emoções...

A terapia é o lugar para aqueles que precisam de cuidado, de refrigério, sobretudo é o lugar para aqueles que precisam de receber amor ou de reaprender a amar - a si mesmo ou aos outros. 

O terapeuta é aquele que se dispõe e ajudar a cuidar e juntar os pedaços 
promovendo a esperança de que a vida possa ser melhor...



terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Qual a diferença entre terapia e aconselhamento?

Qual é a diferença entre fazer terapia e ter uma boa conversa de aconselhamento com um amigo ou conhecido?

Ter pessoas próximas e queridas por perto com quem se pode conversar, trocar experiências e receber conselhos é algo maravilhoso e essencial na vida... 

Relações de confiança e intimidade são fundamentais para o desenvolvimento emocional de qualquer pessoa. Então porque procurar um profissional ao invés de um amigo?

Um terapeuta é uma pessoa que estudou muitos anos de sua vida (pelo menos cinco de graduação) e se capacitou (com especializações e mais uma infinidade de cursos e congressos, além de seu próprio processo de terapia e treinamento pessoal) a fim de poder prestar um serviço especializado de ajuda.

Desse modo, por mais gostoso que seja ter uma pessoa como confidente, o trabalho de um psicólogo é diferenciado pela especifidade de sua formação, pois ele detém habilidades e treinamento específico que outros não têm.

De acordo com Jorge Ponciano Ribeiro:

"fazer psicoterapia deixa de ser fruto do acaso, porque o psicoterapeuta, ao longo de sua vida, se preparou para responder adequadamente a este encontro criador: o momento da psicoterapia. Psicoterapia é um momento de arte, de técnica, de ciência. Esta tríade dá garantia de sucesso, continuidade e consistência ao processo de mudança".


Se você precisa de ajuda, não hesite em procurar um psicólogo!

Acredite, ele se preparou por um longo tempo para te receber e cuidar de você...


segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

O que é terapia e para que ela serve?


Terapia, por muito tempo, foi entendido como um tipo de tratamento para pessoas loucas e, infelizmente, esse preconceito ainda é presente em nossa sociedade.
Atualmente essa percepção vêm sendo transformada...

Um grande problema que os seres humanos enfrentam é que:

"as pessoas não sabem mais olhar para dentro de si mesmas e 
se ver como são: imensas, sagradas, plenas de potencialidades.
 É função da psicoterapia colocar a pessoa diante de si mesma, olhando-se sem prevenção, sem desprezo, sem culpa de querer 
ser feliz, mas com amor, orgulho de si mesma, com fascínio e celebração da própria realidade" (Ribeiro, 2009, p. 31).

Assim, terapia nada mais é do que um processo de encontro entre duas pessoas, é um tipo muito especial e específico de relacionamento que tem como objetivo ajudar a pessoa a se conhecer melhor, a descobrir seus potenciais, bem como suas dificuldades, visando ampliar sua consciência para que possa fazer escolhas mais autênticas e tornar sua vida mais significativa para si mesma.

Desse modo, terapia "serve" para qualquer pessoa, seja em um momento de uma dificuldade emocional específica, seja para buscar autoconhecimento e crescimento pessoal...

A terapia ajuda o cliente a perceber se ele têm, de fato, caminhado em direção a seus objetivos ou se têm se afastado de seus projetos, e assim, o possibilita reencontrar o seu caminho ao invés de ficar vagando...

"A função de toda psicoterapia é conectar a pessoa com 
o sentido de sua própria vida" (Ribeiro, 2009, p. 126).




Este blog tem o objetivo de levantar e discutir sobre terapia e temas importantes relativos ao ser humano e pretende ser um espaço de diálogo... Assim, vários temas serão apresentados e quaisquer dúvidas ou sugestões serão muito bem-vindas...

Referência:
Ribeiro, J. P. (2009). Gestalt-terapia de curta duração. São Paulo: Summus.