domingo, 25 de junho de 2017

Felicidade - você tem tido tempo para experimentá-la?

Eu não sei sobre você, mas eu sempre senti uma pressão enorme para que o tempo passasse rapidamente...

Lembro-me tão claramente de pensar, quando criança, que a vida seria melhor e mais divertida quando eu fosse maior, afinal eu teria liberdade para fazer minhas próprias escolhas e não precisaria pedir permissão para experimentar o mundo...
Como era emocionante imaginar que eu poderia sair quando bem entendesse, ir a qualquer lugar e conhecer pessoas novas... Fazer minhas próprias regras e viver como eu quisesse... Era um sonho lindo e eu mal podia esperar para chegar lá!

Na adolescência, lembro-me da angústia de passar pelas transformações corporais - esquisita, desengonçada e espinhenta - tentava lidar com a formação dos grupinhos sociais, nos quais eu parecia não conseguir me encaixar de jeito nenhum...
Foi uma luta difícil equilibrar a balança entre a necessidade de descobrir  minha identidade e individualidade enquanto sentia uma enorme necessidade de me sentir pertencente a algum daqueles grupos.

Bem, esses foram anos bem longos...

Eu ficava imaginando que seria na faculdade que enfim eu realmente conseguiria encontrar meu lugar. Eu seria bonita, teria amigos incríveis, estudaria aquilo que realmente amava e, então, seria feliz.

Quando a faculdade chegou fiquei absolutamente encantada, parecia que finalmente tinha chegado o momento em que minha vida seria maravilhosa...
Entrei para o curso dos meus sonhos, sentia-me 
mais livre e o tempo passava muito rápido. 
Mas nem tudo foi como imaginei. No fim das contas, me vi novamente ansiando que o tempo passasse, que os semestres e as matérias chatas acabassem, que a apresentação do TCC passasse, para que então eu pudesse ser feliz exercendo minha profissão...
E essa roda permaneceu girando em minha vida.

Parecia a felicidade estava sempre um pouco para frente, alguns passos além de onde eu estava em minha caminhada e, cada vez que eu avançava, ela me escapulia...

Parecia que para ser feliz eu precisava ser mais velha, mais bonita, precisava me formar, precisava de um carro ou de mais dinheiro, de mais amigos...
Sempre precisava de mais alguma coisa.

Eu vivia com pressa e não encontrava a felicidade.

Há alguns anos comecei a me dar conta de que essa sensação de pressa me inundava - como uma onda avassaladora - eu sentia que precisava correr e fazer muitas coisas para que pudesse alcançar a felicidade.

Não sei se você já sentiu isso...

Eu me sentia muita assustada e inquieta - parecia muito difícil ser feliz.

Hoje, curiosamente, eu descobri que é quase fácil ser feliz... 
Pelo menos, deixou de ser tão difícil, como eu imaginei por tantos anos...

Eu percebi que - por muito tempo - imaginava que a felicidade dependia das minhas conquistas - das coisas que eu fazia ou que eu possuía ou que ainda precisava possuir: títulos, carros, empregos, dinheiro...

Eu tenho aprendido, a cada dia, que para ser feliz é preciso pouco...
É preciso tempo! 
(pelo menos no meu caso, não sei para você...)
É preciso olhar para dentro - não para fora!
E é preciso saber contemplar!

Eu descobri que posso ser feliz em qualquer momento da minha vida, independentemente de qualquer coisa, se eu souber olhar para a minha caminhada e encontrar as coisas belas que lá estão presentes...
Estar viva, amar e ser amada pelas pessoas 
que me são queridas, exercer o ofício que 
eu escolhi com paixão e devoção, 
ler um bom livro ou viajar...

A felicidade não encontra-se do lado de fora, nas coisas, mas no mundo que construímos dentro de nós e na busca pela autorrealização de nossos dons e potenciais.

Ela está sempre perto, mas se percorremos a jornada da vida apressadamente, passamos ao seu lado, sem nem ao menos nos darmos conta.

Finalmente, fui compreendendo que a felicidade é exigente, requer atenção e comprometimento!
Ela não se dá de graça.
É uma dama elegante... Se não for adequadamente cortejada, cultivada, não demora a ir embora.

Quando olho para minha história percebo muitos momentos em que ela, a felicidade, me visitou e eu não soube recebê-la, contemplá-la, fui apressada e ela, ofendida, foi embora...

Será que com você isso já aconteceu? Uma oportunidade de emprego, uma pessoa especial ou um momento com você mesmo no qual a Felicidade te visitou e, não sendo devidamente recebida, foi-se embora?

Bom, acredito que fomos aprendendo a lidar melhor - uma com a outra - nesses últimos anos... 

Aprendi a ter muito carinho e respeito por suas visitas... É preciso estar pronta para recebê-la, com um café quente e um convite para voltar outra vez...

Afinal, ainda hoje, muitas vezes, sou visitada por aquela onda avassaladora - da pressa - fico inundada me medo, de angústia e de ansiedade e nós duas nos desencontramos.

Acredito que esse, afinal de contas, é o resumo da ópera... Nós estamos ficando mais íntimas, estamos conhecendo as formas e os jeitinhos de nos aproximarmos e também como promover o reencontro depois da provação das ondas...

É isso, eu ainda estou aprendendo.


E você, se puder, me conte como têm experimentado a felicidade.


terça-feira, 6 de junho de 2017

Avaliação neuropsicológica: conceito, objetivo e indicação.

Bom dia!

Hoje tenho o prazer de trazer para vocês um texto escrito pela psicóloga Anapaula Silva, especialista em Avaliação Neuropsicológica. Esse texto visa esclarecer o que é o processo de avaliação neuropsicológico, como ele acontece, para que serve e para quais casos é um recurso indicado...


O que é a Avaliação Neuropsicológica?

Quando você vai ao médico e diz assim: 


“Doutor, eu acho que o meu colesterol está alto...” 

Ele, mesmo sabendo que suas queixas batem com o quadro, por segurança, irá pedir alguns exames, como um hemograma, por exemplo, para ajudá-lo a entender de “dentro para fora” o que está acontecendo com você. 



Com a avaliação neuropsicológica é a mesma coisa!

 A avaliação funciona como um exame psicológico, 
um "raio x", do funcionamento dos processos cognitivos,
 tais como atenção, memória, raciocínio, linguagem e funções executivas.
 Assim, constitui um instrumento que possibilita melhor compreensão 
da criança e do que está acontecendo com ela.
O diferencial deste processo é que ele busca 
associar as alterações no funcionamento cognitivo às áreas cerebrais.


As famílias que procuram a avaliação neuropsicológica, normalmente o fazem, por indicação médica ou por encaminhamento da escola.


O momento de maior procura pela avaliação ocorre durante o processo 
de alfabetização, no qual as dificuldades da criança tendem a se tornar 
mais evidentes, em razão de ela precisar enfrentar novas demandas e exigências. 

As queixas mais comuns apresentadas pelas famílias envolvem:
- Atraso na aprendizagem;
- Dificuldade de atenção;
- Dificuldades de memória;
- Dificuldades de adaptação social;
- Dificuldades na dimensão afetiva.



 As queixas supracitadas podem constituir tanto a causa como a consequência de outro problema maior que a criança esteja enfrentando...

Essa compreensão faz toda a diferença na avaliação neuropsicológica! 

Pois implica que a análise e compreensão da criança se fundamente não somente nos sintomas e nas dificuldades que estão se apresentando momentaneamente, mas no entendimento mais profundo de quaisquer bloqueios e interrupções que estejam impedindo-a de viver plenamente e realizar seu potenciais.

Essa compreensão também influencia na escolha e indicação de quaisquer outros tratamentos que porventura sejam necessários para ajudá-la a superar suas dificuldades, como, por exemplo, acompanhamento psicoterápico, fonoaudiológico ou psicopedagógico.

A avaliação neuropsicológica é feita por meio de:
- Entrevistas;
- Uso de escalas de avaliação;
- Observação do comportamento;
- Testes psicológicos padronizados 
(que permitam a análise quantitativa e qualitativa das habilidades da criança). 

Para realizar a avaliação neuropsicológica o profissional seleciona, dentro de uma enorme gama de instrumentos, uma série de ferramentas que atendam à demanda do paciente e proporcionem à criança uma experiência agradável, permitindo que o processo avaliativo não seja mecânico e/ou cansativo.



A compreensão do indivíduo como um todo, por meio de suas particularidades no fazer e no sentir, constitui o caminho mais seguro e, por que não dizer, mais justo, para entende-lo em suas dificuldades e potencialidades sem o peso de quaisquer rótulos ou estigmas. 

Afinal, todos nós temos pontos fortes e pontos fracos...
É impossível sermos experts em tudo...

Entretanto, quando as dificuldades se destacam mais do que as potencialidades e os prejuízos tornam-se mais evidentes do que as conquistas, 
a avaliação neuropsicológica pode ser um bom ponto de partida para um caminho de retomada do crescimento da criança.



Anapaula Silva Tavares, 

Psicóloga Clínica/Especialização em Neuropsicologia
Principais atividades: Psicoterapia individual, Psicodiagnóstico e 
Avaliação Neuropsicológica (infantil, adolescente e adulto).

Contatos: (62) 98493 2193
                  (62) 3204 6638 Clínica IDEIA  - Instituto de Desenvolvimento Infantil e Adulto
                   anapaulast81@gmail.com 





Referências:

Malloy-Diniz,Leandro F. Avaliação Neuropsicológica [et al.] – Porto Alegre: Artmed, 2010.