Quem sou eu? Eu acredito que essa é uma pergunta muito difícil para todos nós...
Descobrir quem somos, o que queremos, como desejamos viver nossa vida, como sermos felizes e nos realizarmos, como lidar com a dor e o sofrimento... São questões com as quais nos deparamos ao longo de toda nossa história...
E quantas vezes não sabemos essas respostas, não é mesmo?
De repente as perguntas mudam...
Descobrir quem somos, o que queremos, como desejamos viver nossa vida, como sermos felizes e nos realizarmos, como lidar com a dor e o sofrimento... São questões com as quais nos deparamos ao longo de toda nossa história...
E quantas vezes não sabemos essas respostas, não é mesmo?
Ou então, quando finalmente temos a
impressão de que descobrimos...
Ou as respostas que tínhamos,
já não nos servem mais...
Bom, se para nós, adultos, já é tão difícil elaborar essa jornada, imagine só como é para a criança, que está apenas começando sua caminhada na vida...
A criança é alguém que ainda tem poucas experiências, que tem um repertório pequeno de respostas assimiladas, assim, a cada dia, a cada nova experiência, ela descobre mais coisas sobre si mesma e sobre o mundo...
Essa é a essência do seu processo de crescimento.
É assim que ela vai descobrindo:
Do que eu gosto?
Do que não gosto?
O que me dá medo? O que me dá prazer?
Sou corajoso(a)?
Como eu lido com o amor e com a raiva?
Assim, existem duas grandes rotas para a criança ir descobrindo a si mesma:
Experiência direta:
- eu comigo mesma e eu com o mundo -
Constitui um meio muito importante de autodescoberta uma vez que, por meio das experiências, a criança vai conhecendo o mundo e como ela reage a cada situação.
Uma outra rota, ou um outro caminho, de autodescoberta é o que eu apreendo sobre mim através do olhar dos outros....
Gosto muito de uma história que Leloup (2013) conta sobre isso:
"Há uma tribo de índios, na Amazônia, em que todas as crianças eram
belas porque não havia outro espelho, além dos olhos de suas mães".
Nessa tribo as crianças conheciam a sua própria imagem através do reflexo nos olhos de sua mãe... Era por meio desse olhar que elas viam a si mesmas com amor, com respeito, com carinho...
Ou então com mágoa, com raiva ou com rancor...
Esse é o grande dilema e o grande mistério desse percurso... Afinal, quando nos descobrimos pelo olhar do outro podemos nos deparar com um olhar que seja acolhedor ou afetuoso ou não - um olhar duro, rígido, raivoso ou amedrontador...
Assim, "a dificuldade
é encontrarmos um olhar em que possamos ser nós mesmos, em verdade. Um olhar completamente lúcido e, ao mesmo tempo,
completamente amoroso. Porque o olhar lúcido que nós encontramos frequentemente
nos mata e o olhar benevolente que nós encontramos não nos ajuda a descobrir a
nossa verdade. E temos necessidade, para sermos nós mesmos, de ter sobre nós um
olhar de verdade e de amor" (Leloup, 2013, p. 89).
Olhar do outro:
Essa via de crescimento demanda do adulto uma postura de muito amadurecimento emocional, a fim de que ele não projete na criança suas próprias dificuldades e insatisfações, pois a criança ainda não tem condições psicológicas de fazer, ela mesma, essa diferenciação.
Então, ela passa a compreender que ela mesma não é boa, que ela é uma pessoa ruim e inadequada e, assim, sua alma adoece.
É aqui que eu gostaria de convidar você a olhar para si mesmo e refletir: como é o espelho que você tem oferecido para as crianças em sua vida?
Você que é pai, mãe, irmão, professor(a), terapeuta...
Você que, de alguma forma, convive com uma criança.
O que será que ela vê quando olha nos seus olhos?
Amor Dureza Carinho
Compaixão Raiva Acolhimento
Medo Proteção Perdão
Afinal, para descobrir a si mesma,verdadeiramente, a criança precisa de um olhar que seja simultaneamente lúcido - claro, racional, objetivo, que a ajude a compreender a si mesma e ao mundo;
e também precisa de um olhar amoroso - que permitirá que ela veja a si mesma como alguém especial, importante, amada, respeitada e cheia de potenciais a serem desenvolvidos.
Leloup (2013) ainda diz outra frase muito especial:
"Há alguns lugares, em nós mesmos, que não existem enquanto o amor não tiver penetrado"
(p. 144)
Eu acredito que é isso que as crianças buscam em nosso olhar, um santuário, um espaço sagrado, onde há uma abertura amorosa para que elas possam encontrar a si mesmas...
Um lugar onde elas possam errar e ainda assim serem dignas de amor e perdão, onde elas encontrem orientação e suporte firmes, mas flexibilidade para que elas não tenham medo de experimentar as muitas novidades do mundo, um espaço de descobrimento e nutrição de suas habilidades e
também de reconhecimento de suas dificuldades...
Então hoje esse é o meu convite, reflita:
que tipo de espelho seu olhar têm oferecido?
💗💗💗💗💗💗
Referência:
Leloup,
J; Y. (2013). Caminhos da realização: dos medos do eu ao mergulho no Ser.
Petrópolis, RJ: Vozes.




