Como psicóloga infantil essa é uma demanda muito recorrente no meu consultório, tanto como um aspecto de dificuldade vivenciado pelas famílias no dia-a-dia com as crianças, quanto no trabalho diário que faço com elas na terapia...
O desenvolvimento psicológico da criança é resultado de uma série de interações com as pessoas e com o mundo - é por meio do contato com o mundo humano e com o mundo dos objetos que surgem demandas às quais a criança precisa responder e, assim, adequar seu comportamento às especificidades de cada contexto (escolar, familiar, etc.). Então, à medida que ela vive inúmeras experiências, vai construindo comportamentos e experimentando uma série de possíveis configurações psicológicas.
A capacidade da criança de responder apropriadamente, ou não, às demandas do meio é mediada por seus recursos emocionais e por sua capacidade de se regular ou se reajustar ao contexto.
(Se há alguma dificuldade nesses elementos - a terapia infantil é uma importante possibilidade de resgatar e cuidar dos recursos emocionais da criança e de sua capacidade criativa de se regular/reajustar).
A medida que a criança vai crescendo, ela vai ganhando várias habilidades em diversas áreas - cognitiva, motora, emocional - visando constituir uma personalidade saudável e uma autoimagem positiva, ou seja, desenvolvendo sua individualidade, sua autoestima, autorrespeito, autonomia, autoconfiança, competências, etc.
Então, o desenvolvimento infantil é fruto das influências ambientais, dos acontecimentos da vida e das potencialidades inatas da criança.
Os limites, aqui, estabelecem uma função crucial para favorecer esse processo, uma vez que estabelecem um parâmetro de mundo para a criança, promovendo sensação de segurança, adequação e previsibilidade acerca das situações que ela terá que enfrentar.
Assim, os limites estabelecem fronteiras entre a criança, os outros e o mundo, situando-a e favorecendo que ela consiga se comportar de maneira adequada em cada situação.


Para construir esses limites, três bons parâmetros a se considerar são a necessidade de previsibilidade e segurança, bem como a necessidade de liberdade da criança.
Uma vez que...
muita segurança vai impedir a evolução da pessoa, gerando sensação de aprisionamento, seu desenvolvimento emocional fica enrijecido e sua percepção de si mesma, dos outros e do mundo fica bloqueada.
mas muita liberdade faz com que a criança se sinta insegura e desprotegida, porque não sabe como lidar com tanto poder.
Um outro parâmetro fundamental a ser considerado é a postura dos pais, no que diz respeito à diferenciação entre autoridade e autoritarismo.
autoridade - postura crucial exercida pelo adulto que visa atender a necessidade da criança - estabelecendo limites.

autoritarismo - caracteriza uma postura arbitrária, desvinculada de cuidado e atenção às necessidades da criança, visa atender a necessidade de poder do adulto. Esse modo de relação é extremamente prejudicial para as crianças, pois não satisfaz às suas necessidades, faz com que se sintam inseguras, amedrontadas e desafiadoras.
Estabelecer limites é um recurso que pode favorecer imensamente o desenvolvimento infantil, desde que seja usado como um instrumento amoroso...
que visa atender às necessidades da criança de segurança, proteção e previsibilidade...
ao mesmo tempo lhe permitindo desfrutar de liberdade para conhecer o mundo, os outros e a si mesma, desenvolvendo seus potenciais e habilidades!!
Daniela Elias Naves
Psicológica - especialista em Gestalt-terapia, atendimento infantil e adulto.
Referência:
Aguiar,
L. (2014). Gestalt-terapia com crianças:
teoria e prática. (2ª ed). São
Paulo: Summus.


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