segunda-feira, 13 de março de 2017

Características do Déficit de Atenção e Hiperatividade e seus impactos no desenvolvimento emocional da criança

Hoje decidi falar um pouquinho sobre as características básicas do TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), pois noto que essa sigla se tornou muito comum no dia-a-dia das escolas e famílias, mas há ainda pouca informação sobre o conceitos e características que descrevem esse quadro e como ele impacta a vida das crianças e das pessoas que estão lidando com ela (pais, professores, colegas, etc.).

As principais características do TDH incluem: dificuldade de atenção concentrada, distração por inúmeros estímulos do ambiente, atenção difusa (a criança fica atenta a várias coisas ao mesmo tempo), pensamentos desorganizado e dificuldade de memorização (muito comum em conteúdos acadêmicos pelos quais a criança não se interessa).

E é assim que a família costuma caracterizar essas crianças - parece que estão ligados no 220V o tempo todo! São atentas a tudo e todos que estão ao seu redor; se interessam por tudo o que acontece; mal começam uma brincadeira e já trocam por outra e outra e outra; não conseguem ficar paradas - movimentam-se o tempo todo (balançam pernas e braços ou constantemente mudam a postura corporal enquanto estão paradas); têm dificuldades de ouvir e seguir regras; agem impulsivamente...

Eu percebo que os dois sintomas mais difíceis  para a família enfrentar, normalmente, são relativos à atenção e a hipercinesia (excessiva movimentação corporal).

A dificuldade em manter a atenção concentrada acontece em razão de que isso demanda um esforço em concentrar a atividade psíquica em um determinado estímulo e mantê-lo como foco consciente, ou seja, a atenção não é apenas um exercício cognitivo, mas requer elementos como motivação e envolvimento afetivo. 


Assim, a pessoa hiperativa enfrenta dificuldade de 
sustentar a atenção, uma vez que está o tempo todo 
ligada a diversos estímulos do ambiente e seu 
pensamento ocorre em um fluxo muito rápido, o que, consequentemente, diminui sua capacidade de 
processar, assimilar, compreender e 
armazenar informações.


Bom, podemos compreender a hipercinesia (modo excessivo de movimentação corporal) como um sintoma do desencontro entre o que a criança está pensando e o que ela está sentindo - afinal, como sua dimensão racional está sobrecarregada de dados, ela estabelece uma forma de contato com o mundo que é vago, superficial e desorganizado, assim, não toma consciência do que está acontecendo consigo e sua capacidade de percepção fica diminuída. 


A movimentação corporal constitui, então, um meio substituto para amparar a criança quando ela não consegue se apoiar no pensamento organizado e na elaboração emocional e simbólica do mundo.

Segundo Aguiar (2005, p. 192), "a essência do TDAH revela, portanto, que a criança é confusa,  não sabe bem o que fazer e o que pensar, vive à procura de si e de um sentido de vida".

Então, quando encontramos uma criança nesse quadro, é importante compreender que esse estado de agitação, a dificuldade de concentração, aprendizado e memória não são fruto de falta de limites ou desinteresse, mas na verdade é uma configuração psicológica sobre a qual ela não tem controle e que lhe provoca sofrimento!

Essa criança precisa de tratamento, atenção e ajuda!

O tratamento é multifacetado e envolve a família e os professores - oferecendo um suporte educacional mais humano e adequado às necessidades específicas da criança.

É fundamental um trabalho terapêutico com a criança a fim de promover um contato mais saudável tanto na dimensão corporal quanto na dimensão da consciência - ajudando a perceber seu próprios pensamentos e sentimentos, responsabilizando-se por suas escolhas e a estabelecendo um modo de interação mais organizado e satisfatório com o mundo!

Bom, espero que esse texto possa ajudá-los a conhecer e compreender um pouco melhor essa condição do TDAH, estou à disposição para tirar dúvidas e discutir esse tema!!

💗💗💗

Referência:
Antony, S. & Ribeiro, J. P. (2005). Hiperatividade: doença ou essência, um enfoque da gestalt-terapia. Psicologia: ciência e profissão, 20(2), 186-197. 

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