Consiste no modo como os pais se organizam para educar uma criança, ou seja, diz respeito a maneira como os pais compreendem e exercem o papel da maternidade e da paternidade.
O paradigma da Parentalidade Tradicional - se fundamenta nos seguintes princípios:
- relacionamento hierárquico - fundamentado no poder e superioridade dos pais sobre a criança;
- relacionamento rígido e determinista - os pais dizem e ensinam a criança como ela "deveria ser";
- noção de valor pessoal - é baseado nas conquistas da criança (no que ela consegue "fazer").
Uma criança, ainda mais uma criança pequena, precisa sobreviver psicológica e emocionalmente...
E, assim como ela precisa de alimento físico para sobreviver biologicamente, também precisa de afeto para sobreviver emocionalmente...
Então, quais são as sementes que esse modelo de Parentalidade Tradicional plantam no coração da criança?
Para assegurar-se de que será amada pelos pais - sua primeira e primária fonte de amor - a criança se submeterá a um modelo de relacionamento hierárquico, no qual ela terá que ocupar um lugar inferior e de submissão...
Ela tentará, com todos os seus recursos emocionais, atender àquilo que dizem que ela "deveria ser", ainda que isso implique alienar enormes pedaços de si mesma, abandonando e perdendo contato com a sua pura essência.
E ela se esforçará enormemente para "fazer" e conquistar notas altas, dominar com excelência duas ou três línguas estrangeiras, ser a melhor bailarina ou o melhor judoca...
Todas essas expectativas e cobranças tão altas provocam uma ruptura no senso de equilíbrio interno da criança, violando o seu ritmo natural de desenvolvimento - o que leva, muitas vezes, a quadros de adoecimento emocional grave.
Afinal de contas, como seria possível manter senso de equilíbrio e saúde emocional quando ela precisa se partir, se repartir e se desdobrar para atender às necessidades emocionais dos pais?
Então são os pais que são maus?
Não! Definitivamente não. E também não fazem isso com o objetivo de ferir seus queridos filhos...
Sem dúvidas, agem com boa-vontade e tentando acertar...
Mas, por não estarem conscientes,
acabam caindo nesse tipo de comportamento.
A maioria de nós, eu inclusive, foi criada em uma família com esse modelo de Parentalidade Tradicional, por isso mesmo, carregamos dentro de nós muitas feridas emocionais e acabamos repetindo os mesmos padrões de comportamento que nos machucaram lá atrás
com os nossos filhos hoje...
Repetimos as cobranças, repetimos as expectativas, repetimos o amor condicional...
Repetimos porque estamos feridos e não conhecemos outro caminho.
Para que possamos exercer um modelo diferente de parentalidade, precisamos primeiramente reconhecer e cuidar desses buracos no nosso próprio desenvolvimento emocional - aonde residem nossos pontos de inconsciência e imaturidade emocional.
Essa é a grande oportunidade que as crianças nos promovem...
Elas nos mostram as nossas feridas.
Elas nos convidam a cuidar de nós para que possamos ser melhores cuidadores delas.
Esse é o convite que a Parentalidade Consciente faz -
olhe para você, cuide-se, transforme-se,
para que assim você conquiste a sua saúde emocional e possa - então -
libertar seus filhos da sua própria dor e
ser promotor de saúde emocional dele(a).
Uma relação entre pai-filhos de mais saúde, mais amor e mais conexão começa quando buscamos ampliar a nossa consciência.
Se você deseja embarcar nessa jornada, procure ajuda, comece por você...
Continuaremos explorando esse tema no próximo texto...
Um enorme abraço...
Psicóloga Daniela Elias
Esp. atendimento infantil e adulto.


