quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Relações de intimidade e expectativas


Tenho percebido no consultório uma quantidade cada vez maior de pessoas profundamente decepcionadas nas suas relações de intimidade por causa de expectativas que têm para com o outro - pais, filhos, irmãos, cônjuges, amigos, ficantes, etc.

Curiosamente, muitas vezes, ao nos relacionarmos com outra pessoa não levamos em conta a sua totalidade como pessoa, mas apenas aquelas partes que nos agradam... Assim, alguns aspectos dela ficam quase que como "apagados" - na verdade ficam em segundo plano - e assim, esperamos que essa pessoa seja ou faça coisas que não são condizentes com quem ela realmente é...

Por exemplo, uma mãe que tem um filho extremamente talentoso para artes e música mas deseja muito que ele seja um médico ou uma mulher que se casa com um homem bagunceiro mas espera que ele se dedique à limpeza e organização da casa, etc... são pessoas que estão fadadas a se frustarem em suas expectativas...

Essa frustração inevitavelmente acontecerá porque ela espera do outro algo 
que não corresponde aos seus potenciais ou esbarra em suas limitações.

Assim, em uma relação, precisamos apreciar tanto as qualidades, bem como os limites da pessoa que amamos. Pois quando fazemos isso, podemos reconhecer cada vez mais profundamente quem ela é, e assim, ter um vínculo mais genuíno - aceitando, valorizando e protegendo suas características singulares.

Dessa forma, é possível se colocar em estado de disponibilidade amorosa, não pressupondo habilidades irrealistas, mas reconhecendo as necessidades da pessoa amada, acolhendo as diferenças entre nós e auxiliando o seu crescimento...

É claro que algumas habilidades podem ser construídas - o homem bagunceiro pode ajudar a organizar a casa, mas essa provavelmente não será a maior prioridade de sua vida...
Outras precisam ser revistas e aceitas - talvez essa criança jamais irá se tornar um médico, 
ou se torne um médico infeliz, ou se torne um músico e seja feliz...

O amor permite-nos perceber e participar da vida do outro, respeitando-o  e favorecendo seu crescimento pessoal e, consequentemente, da relação.

Talvez seja um bom momento para pensar:

O que você têm esperado dos outros?

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