"O amor é preocupação ativa pela vida e crescimento daquilo que amamos"
(Fromm, 1990).
Gosto muito dessa fala quando penso na relação da família e a sua função no desenvolvimento emocional da criança...
Acredito que é por meio do vínculo afetivo, amoroso, que a
família pode se envolver ativamente na vida e no processo de
formação e crescimento da criança.
Assim, compreendo que a família realiza uma tarefa extremamente difícil e paradoxal, uma vez que deve primar por estabelecer uma situação de união, harmonia e estabilidade entre seus membros para que a dinâmica familiar flua bem, assim como precisa, igualmente, favorecer um processo de diferenciação, individuação e independência - através do qual cada pessoa (especialmente a criança), deva tornar-se ela mesma - única, diferente e individualizada dentro do grupo familiar.
Nesse sentido, a família caminha sempre por essa vereda estreita - de um lado os laços, a união, a aproximação e os valores comuns precisam ser implantados, estreitados e mantidos... E pelo outro, precisa fomentar o crescimento e autodescoberta individual.
Fazer essa caminhada parece com andar numa corda bamba
entre dois paredões muito altos...
Há muitos riscos, pouco apoio e é bem assustador.
Não por acaso tantas famílias passam por momentos difíceis e muito sofrimento nesse processo de criar e educar uma criança - afinal, manter o equilíbrio nessa situação entre as demandas e dificuldades da família e as necessidades de cada um de seus membros, não é nada fácil mesmo...
Por isso compartilho da compreensão de Zinker (2001) de que quando surgem dificuldades...
"ninguém especificamente causa o problema; todos os membros agem conjuntamente para organizar ou desorganizar suas vidas,
de modo que contribuam para a felicidade e seu bem-estar ou para sua insatisfação e seu sofrimento".
Então o papel da família, no desenvolvimento emocional infantil é o de estar atento e sensível para perceber os atributos naturais da criança - suas habilidades, potencialidades e seus dons, fomentando e reconhecendo a beleza daquele ser único que ela é...
Também é importante perceber as dificuldades, conflitos e sofrimento da criança, uma vez que, eventualmente, ela precisará
de suporte e referência para enfrentar situações ou desafios para os quais sente que não está preparada para lidar sozinha.
Cuidar de uma criança e ajudá-la a crescer é viver essa ciranda - ora de aproximação, ora de afastamento...
É por meio desse SEU olhar contemplativo, apreciativo e valorativo, que a criança vai aprender a olhar para si mesma de maneira positiva, construindo uma autoestima e um senso de si positivo...
Também é importante perceber as dificuldades, conflitos e sofrimento da criança, uma vez que, eventualmente, ela precisará
de suporte e referência para enfrentar situações ou desafios para os quais sente que não está preparada para lidar sozinha.
Cuidar de uma criança e ajudá-la a crescer é viver essa ciranda - ora de aproximação, ora de afastamento...
“as crianças precisam ter um lugar para correr de volta para a segurança e esperar que o medo diminua... desde que ninguém se incomode se elas se soltem mais para se aventurar um pouco”
(Zinker, 2001, p. 247 at al Aguiar, 2005, p.79).
Portanto, é necessário permitir a criança poder estar perto e também se afastar, a fim de que possa experimentar a segurança e o conforto da família, mas possa também experimentar o mundo do lado de fora como a pessoa singular que ela é...
Para que esse complexo processo de crescimento aconteça, é necessário que a criança possa ter a oportunidade de se expressar, de escolher, de enfrentar situações da vida e tentar resolvê-las, mesmo que isso seja difícil ou doloroso...
Não é por meio desse ensaio - desses erros e desses acertos - que ela vai apender a lidar com a sua própria vida?
Então, família, seu papel privilegiado é acompanhá-la nessa linda jornada de descoberta!
Confirmando seus potenciais e oferecendo suporte em suas dificuldades...
Sobretudo, acredito que o mais maravilhoso e misterioso fenômeno que pode acontecer nesse contexto familiar, é vivenciar a experiência de ter "pais que nos ensinam que podemos ser muito mais do que aquilo que pensamos ser"
(Antony, 2010).
Psicóloga Daniela Elias Naves
💙💚💛💜
Referências:
Aguiar,
L. (2005). Gestalt-terapia com crianças.
São Paulo: Livro Pleno.
Antony,
S. (2010). Um caminho terapêutico na clínica gestáltica com crianças. In A clínica gestáltica com crianças: caminhos
de crescimento (pp. 79-107). Sheila Antony (Org.). São Paulo: Summus.
Cardella,
B. H. P. (1994). O amor na relação terapêutica: uma visão gestáltica. São
Paulo: Summus.


Nenhum comentário:
Postar um comentário