domingo, 3 de dezembro de 2017

Como você AMA?

"O amor acolhe o absurdo e a graça da condição humana" 
(Beatriz Cardella, 2009).

Alguma vez você já pensou em como você ama?


Parece uma pergunta estranha né? 

Nós - enquanto sociedade - falamos de amor em filmes românticos, falamos dele nas músicas e no teatro, mas pouco falamos de AMOR no dia-a-dia das nossas relações.

Como psicoterapeuta eu testemunho muitas pessoas chegarem ao meu consultório com muitas histórias, crenças e dúvidas sobre isso...

histórias de amor - carregadas de dor e sofrimento - em seu passado ou em seu presente...

crenças - conceitos à respeito do que o amor é e como eles o experimentam em suas vidas...

dúvidas - do porquê - já que está tudo claro e entendido sobre o amor - eles ainda se sentem tão infelizes...

Depois de ouvir muitas, muitas pessoas falando sobre amor e  de muito pensar e refletir, algo foi ficando claro para mim:

nós temos uma necessidade muito grande de nos sentirmos amados, 
essa é uma necessidade emocional tão primária e fundamental para a nossa sobrevivência psíquica quanto o ar e a água são necessários para a nossa sobrevivência física/biológica.

Nós - humanos - simplesmente precisamos dele para existirmos e funcionarmos emocionalmente.


Culturalmente temos essa ideia de que uma outra pessoa vai satisfazer essa nossa necessidade fundamental e aí estaremos completos, realizados, nutridos e felizes.

Assim, entramos em diversos tipos de relação esperando que nossos namorados, nossos cônjuges, nossos filhos, nossos amigos, nos preencham de amor - como se fossemos um leito de um rio seco e essa outra pessoa fosse nos encher de vida e nos completar naquilo que estava nos faltando.



vem o amor e...


Ah, que imagem linda...
Tão sedutora e tão bonita que não percebemos a grande armadilha em que estamos estrando!

Amar desse jeito nos torna DEPENDENTES! 
Passamos a depender que o outro nos preencha de amor e se ele - por alguma razão - não puder ou não quiser fazer isso, nos sentimos traídos, abandonados, vazios...

Amar desse jeito ESCRAVIZA o outro!
Porque passa a ser responsabilidade dele fazer com que eu me sinta satisfeita em uma necessidade que é minha.

Percebe a loucura? Essa é uma forma adoecida de amar.

Isso é o que consiste o AMOR CONDICIONAL:

- eu te amo se você fizer com que eu me sinta amada;
- eu te amo se você atender as minhas necessidades e expectativas;
- eu te amo se você acatar as minhas demandas.

Então nós amamos nosso namorado se ele corresponder à minha imagem do cavaleiro no cavalo branco;

Nós amamos nossos cônjuges se eles concordarem em fazer tudo como nós acreditamos que devem ser feitas;

Nós amamos nosso filhos se eles forem quietos, obedientes e condescendentes com o que nós lhes dissermos.

- Eu te amo se você...

nosso amor se torna condicionado ao que a outra pessoa faz por nós.

Isso acontece quando nós - que perdemos o contato com a nossa essência e a fonte abundante de amor que corre dela - projetamos nossa necessidade não atendida sobre os outros.

Nós - que fomos criados de maneira inconsciente - por pais que também tinham essa mesma necessidade não atendida e não souberam nos ensinar a nos nutrirmos em nosso próprio amor, agora seguimos reproduzindo em nossa vida essa mesma forma adoecida de relacionar.

E aí, quando vemos essa fantasia se romper - quando o outro não nos ama da forma como esperávamos - entramos em profundo sofrimento.


Ninguém veio ao mundo com a obrigação de te completar!

Amor sem essa consciência é um amor condicional - cheio de expectativas, projeções, demandas e exigências, esse amor rapidamente se transforma em controle e imposições, perpetuando o sofrimento.


É somente pelo portal da consciência da nossa estrutura emocional que podemos cortar as correntes com as quais prendemos o outro nessa forma doente de amar.


E, quando acessamos a nossa essência, descobrimos que existe um rio abundante de amor, do qual podemos nos nutrir


e só então podemos ofertar um amor verdadeiro e saudável para outras pessoas,

pois entendemos que há um amor que já flui em nós, uma fonte que já está cheia e plena - e assim é possível amar sem esvaziar, sem escravizar, sem depender...

É por isso mesmo que
 "o amor acolhe o absurdo e a graça da condição humana", 

ele pode ser fonte de um profundo adoecimento
 - quando amamos condicionalmente -

e também pode ser fonte de nossa maior nutrição e libertação 
- quando amamos conscientemente -

E aí, como você tem amado?

Você já parou para olhar como cuida da sua fonte interna?

Consciência é o único caminho - arrisque-se! Ouse! Olhe para dentro de você!

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Com todo meu carinho,
psicóloga Daniela Elias

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