Esse termo refere-se a metodologia usada pelos pais para educar uma criança, ou seja, diz respeito a forma como a família se estrutura para lidar com as demandas inerentes a criação de um pequeno ser humano e de sua interação diária com o mundo.
Assim, educar uma criança compreende um gigantesco espectro de coisas - desde ensiná-la a se levantar e andar, falar, ler, amarrar os sapatos e usar uma bicicleta - até instruí-la a respeito de conceitos éticos, morais e religiosos.
Então, quando pensamos nesse processo de formação, a maneira como você é ensinado a fazer tudo isso, como você é corrigido quando erra e a maneira como se relaciona com seus pais, corresponde ao modo como eles compreendem e exercem esse papel de serem pais - isso constitui o modelo de parentalidade.
"O
estar no mundo para a criança sofre um certo nível de determinação parental.
Tendo os pais um papel significativo nesse processo, pois a postura assumida
por eles diante da ação da criança é uma poderosa força orientadora da maneira
com que ela aprende a se colocar no mundo".
(Elias & Pedroso, 1999).
A criança aprende, por meio do modelo que vive com seus pais,
a lidar consigo mesma e com a vida...
Percebe como é impactante, para ela, o modo como você exerce o papel de pai ou mãe?
Esse modelo vai definir a maneira como ela compreende a VIDA!
Então, quais são os princípios norteadores desses dois modelos de parentalidade?
Modelo de Parentalidade Tradicional
- Relação verticalizada ou hierárquica: os pais são as figuras de poder e a criança ocupa um lugar de submissão e/ou inferioridade. O relacionamento é fundamentado no controle, muitas vezes há pouco diálogo e os membros da família não se sentem confortáveis em compartilhar suas experiências e dificuldades que enfrentam na vida.
- Rigidez: as regras são estabelecidas de modo unilateral, considerando prioritariamente as necessidades dos pais, não havendo muito espaço para negociação.
- Relação determinista: nesse modelo de parentalidade, muitas vezes, a família determina vários aspectos da vida da criança ou adolescentes, por exemplo em relação ao foco de estudo, curso e carreira que deve seguir ou mesmo os relacionamentos amorosos que deve ou não viver.
- Visa a formação psicológica da criança segundo uma programação pré-determinada pela família, fundamentada em seus valores, crenças e expectativas.
- Nesse modelo de parentalidade, muitas vezes, a família dimensiona a noção de valor da criança em suas conquistas e realizações (em seu fazer - notas escolares, sucesso em cursos e realização de inúmeras atividades extras).
Compreende-se que os pais são os agentes de formação da criança, eles, unicamente, são os guias da caminhada.
Modelo de Parentalidade Consciente
- Relação horizontal ou de parceria: pais e filhos têm um relacionamento de respeito e consideração mútua, não há disputa pelo poder. É claro que os pais tem a responsabilidade de tomar decisões e estabelecer limites e regras, mas as opiniões e considerações da criança são levadas em alta conta. Existe espaço de abertura e intimidade.
- Flexibilidade: a dinâmica da família flui de acordo com o momento que está sendo vivido, assim há possibilidade de negociar regras para atender a necessidade de todos os membros da família e acomodar as mudanças que acontecem ao longo do desenvolvimento da criança.
- Relação não-determinista: a família respeita a criança da forma que ela é, celebrando seus potenciais e talentos, aceitando suas dificuldades e limitações, permitindo que ela busque aquilo que a realiza e não forçando-a a atender/suprir as expectativas dos pais.
- Visa o desenvolvimento da personalidade autêntica da criança, ampliando a consciência emocional da criança, assim como favorece a construção de um repertório emocional saudável - ensinando-lhe efetivamente a lidar com suas emoções e situações difíceis.
- Nesse modelo de parentalidade a noção e valor da criança é referenciado pelo desenvolvimento de seu Ser autêntico - sua capacidade de ser corajosa, aventureira, bondosa, generosa, honesta, companheira...
Acredita-se os pais são transformados pela maternidade e pela paternidade. A criança ajuda-os a se tornarem pessoas melhores, mais sábias e mais humanas.
Pais e filho se tornam parceiros de caminhada, estabelecendo trocas que são mutuamente transformadoras e favorecedoras do crescimento de todos.
Cada uma desses modelos de parentalidade planta um tipo diferente de semente no coração da criança...
Pense na sua infância e na sua história...
Como foi o modelo de criação que você recebeu?
Que sementes você ainda carrega dentro de si?
Como esses valores te influenciam hoje?
Agora, mamães e papais, imaginem quais são as sementes que você está plantando no coração de seu filho ou filha...
Qual é o seu modelo de parentalidade?
O que você está ensinando a ele(a)?
Exercer, genuinamente, a tarefa da parentalidade é um desafio gigantesco...
Por isso mesmo, é muito comum que os pais passem por muitas dificuldades...
Esbarrando em muitos dos seus próprios conteúdos emocionais - vividos em sua infância,
bem como nas dificuldades inerentes de implementar a educação da criança no dia-a-dia familiar.
"Criar filhos nos expõe com frequência à situações conflituosas a nossa mente e ao nosso coração, de tal forma que a tarefa de educar uma criança pode ser comparada a andar na corda bamba. Uma única resposta mal dada pode desencorajar uma criança, enquanto que o comentário correto é capaz de fazê-la subir às alturas. A cada momento podemos escolher construir ou derrubar, incentivar ou congelar".
(Tsabary, 2017).
Afinal, é agora que estão sendo plantadas as sementes de quem vai se tornar esse pequeno ser humano...
No próximo texto aprofundaremos o tema - abordando as consequências de cada um desses modelos de parentalidade no desenvolvimento da criança.
Um beijo enorme para todos vocês!
Psicóloga Daniela Elias
Ps.: Segue abaixo o link de uma Live em que discuto esse tema dos modelos de parentalidade...
https://www.youtube.com/watch?v=LAf96wjcQMQ
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Referência:
Elias,
G. P. & Pedroso, V. B. V. (1999). A gestalt do diagnóstico infantil. Revista do V Encontro da Abordagem Gestáltica,
5, 93-95.
Tsabary,
S. (2017). Pais e mães conscientes: como
transformar nossas vidas para empoderar nossos filhos. Rio de Janeiro:
Bicicleta Amarela.




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