quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Aceitar-se - o maior dos desafios...

ACEITAR

Sete letras, três sílabas, uma única palavra, mas um desafio grandiosíssimo...


Uma palavra originária do latim - accepto - que significa receber o que é oferecido com agrado, admitir 
(dicionário Priberam).

Tão fácil de falar, mas tão difícil de viver...

Afinal de contas, do que é que eu estou falando?

Eu estou falando, pensando, meditando e ruminando sobre o quanto é difícil aceitar.

Vivemos em uma sociedade que celebra o perfeccionismo - ou seja - somos criados dentro de uma cultura que glorifica corpos magros e altos, contas bancárias gordas e fotos espetaculares das baladas e comidas mais extravagantes no Instagram...

Buscamos a glória da imagem familiar perfeita: parceiro(a) perfeito(a) com quem constituir uma relação perfeita e uma família perfeita com filhos(as) perfeitos que tiram as melhores notas da sala e que ainda são excelentes em música ou esportes...


Procuramos tantas coisas para nos sentirmos extraordinários, para sentirmos que temos valor, que nossa vida é bacana e vale a pena ser vivida... 
 Como se disséssemos: - Vejam, olhem para tudo isso, eu estou aqui,  eu sou bom, eu tenho valor.

E, apesar de ter tudo isso, eu vejo as pessoas em sofrimento...


Exatamente porque o apego à essas coisas externas é o parâmetro com o qual vêem o seu valor interno.

Essa é a lente - é através desses sinalizadores que elas buscam saber
se são boas, se têm valor, se a vida vale à pena...

E é por isso que há tanto sofrimento.

Buscamos na vida real a perfeição de um corpo que só o Photoshop pode oferecer...
Sonhamos em viver - na vida real - a glória das estrelas hollywodianas na noite do Oscar...

Esperamos de nós mesmos coisas que talvez não correspondam às nossas reais possibilidades - emocionais, psicológicas, biológicas, sociais, econômicas, relacionais...

No fundo, simplesmente, não conseguimos ACEITAR!

Não conseguimos aceitar quem somos - gordo, magro, alto ou baixo...
Não conseguimos aceitar a realidade de nossa vida - o dinheiro, o carro e casa que temos ou os restaurantes e as baladas que frequentamos...
Não conseguimos aceitar os outros à nossa volta - o cônjuge com todas as suas imperfeições, os filhos ou filhas com suas dificuldades e limitações...

Todas as coisas que não aceitamos partem dessa primeira fonte
 - não aceitamos a nós mesmos -

 não conseguimos receber o que nos é oferecido com agrado  não conseguimos admitir que somos assim, 
humanos, imperfeitos...

e por isso sofremos.



Somos seres divinos, seres contemplados com luz e graça e somos também seres mundanos, comuns, dotados de sombras...

Esse é o mistério e a beleza do ser humano -

ser habitante de dois mundos:

da graça do céu
e
da mundaneidade da terra.


Você não é o seu cabelo ou o seu corpo;
Você não é a sua conta bancária;
Você não é o seu status de relacionamento;
Você não é nada disso! Você é muito, muito mais do que cada uma e todas essas coisas.


Nós somos seres duais - ao mesmo tempo que somos da ordem da dimensão física - somos também seres da dimensão espiritual...

Nossa essência, nosso espírito, é muito maior e transcende toda essa realidade mundana.

Você é luz

Sua essência é boa e perfeita

Você têm valor e vale à pena por ser exatamente quem você é!


Em toda a minha caminhada de crescimento, nenhum desafio tem sido maior do que esse de aceitar-me...

Aceitar-me exatamente como sou 
 - sem exaltar  nem desvalorizar -
- não buscando aplausos nem vaias - 

realmente olhar para dentro é uma tarefa desafiadora, 

afinal de contas, somos criados para desejar a glória ou para temer o fracasso...

Olhar-se honesta e abertamente, sem essas expectativas, é um exercício um tanto diferente, mas esse é também o caminho para aceitar...

Essa têm sido a minha missão: accepto

- receber a mim mesma com agrado
- admitindo quem eu sou... 

 Permitindo - pelo menos para mim mesma - que quem eu sou seja suficiente para que eu me sinta valorosa e merecedora de amor - do meu próprio amor.

Empreender essa jornada não é fácil, por isso - muitas vezes - precisamos de ajuda, de alguém que nos mostre esse caminho...

Afinal, quem de nós foi ensinado a se olhar assim?
- sem julgamento
- sem crítica
- com aceitação, respeito, cuidado e acolhimento?

Agradeço ao Universo pelos muitos professores que cruzaram meu caminho - terapeutas e mestres acadêmicos e espirituais...

Precisamos re-lembrar, re-aprender a nos olhar com carinho, com um olhar inocente, curioso e não-julgador - para isso essa ajuda é importante.

Mas a luz, a essência, já habita em nós...
só nos esquecemos de como encontrá-la.

E precisamos aprender a voltar para casa 
- para a casa dentro de nós mesmos -
nossa essência 
que é a nossa verdadeira morada.



E é apenas quando estamos em contato com esse centro,
com a nossa essência,
é que conseguimos olhar para nós mesmos amorosamente,
olhar para a vida com gratidão,
olhar para as pessoas à nossa volta com tolerância e compaixão.

O nosso amor flui para o mundo apenas quando a sua 
fonte está firmemente plantada no nosso auto-amor. 

A compaixão pelos minhas limitações me permite ter compaixão com as limitações do outro;
A minha capacidade de me perdoar, me permite perdoar o outro;
A minha habilidade em me aceitar, me permite aceitar o outro.

Somos humanos, divinos e imperfeitos, luzes e sombras...

Você consegue aceitar?

Sete letras
Três sílabas
Uma única palavra
Um desafio grandioso....

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