domingo, 19 de novembro de 2017

Os pais e a psicoterapia infantil

Como psicoterapeuta infantil eu atendo muitas famílias que vem procurar minha ajuda quando passam por momentos de dificuldade e/ou sofrimento com suas crianças...


Normalmente, na primeira sessão, fico prestando muita atenção nesses pais que estão diante de mim... Às vezes eles chegam emocionalmente sobrecarregados, com os olhos e a alma recheados de dor, preocupação,  medo, apreensão e angústia, afinal, já não sabem mais o que fazer e se vêem sem saída diante dos problemas que estão vivendo.

Outras vezes eles chegam arrogantes, orgulhosos, cheios de demandas e ordens de coisas que querem que eu "conserte" em seus filhos.

Independentemente disso, meu coração sempre fica tocado pela enorme coragem dessas pessoas que batem a minha porta e - diante de alguém que nunca viram antes - abrem a sua intimidade, convidando-me a conhecer sua casa, as suas relações, os conflitos que não ousam compartilhar com mais ninguém...

Quão difícil, doloroso e vergonhoso é admitir que algo não vai bem com seu filho ou filha... Entendo que, para muitas famílias, expor as dificuldades pelas quais estão passando é quase como assinar um atestado de fracasso ou incompetência.

E aí, quanto mais agitados, fechados ou resistentes eles se mostram, mais claro fica que - em seus corações - dói grande e profundamente o medo de serem julgados, acusados, condenados...

Ah, se eles soubessem quando admiro a coragem de estarem ali...

É com grande humildade, respeito e reverência que me vejo convidada a adentrar o espaço sagrado de uma família... 


Diante desse chamado, me ancoro firmemente na compreensão de que esses pais não precisam de mais alguém para apontar seus erros, mas de alguém que lhes estenda a mão e se coloque como parceiro.


Eu entendo que esse é o trabalho do terapeuta infantil com os pais.

O terapeuta é aquele que, junto com eles, olha e investiga onde estão acontecendo bloqueios e entraves...

Desvendando onde - no caminho da vida e da família - as pessoas se desencontram e o sofrimento, o caos, a dor, as brigas, os desentendimentos - começaram a sobrepujar a harmonia, o crescimento, a felicidade.

Assim - da confusão de histórias e do tormento de emoções e pensamentos que vão emergindo em nossos encontros - vamos encontrando sentido para o que está acontecendo.

Como as peças de um quebra-cabeça que - inicialmente confusas e bagunçadas - vão se encaixando e a imagem começa a aparecer e se tornar compreensível.


Para mim, isso é o que há de mais mágico no encontro terapêutico, quando do meio da dor emerge o sentido da situação familiar.

E então podemos trabalhar para reconstruir a história,
resgatando e cuidando das feridas,
regenerando os corações machucados.


Por isso mesmo, me reconforta o fato de que - não importa quão ruim, dolorosa ou caótica esteja a situação de sofrimento familiar - esses pais que vem bater à minha porta estão se disponibilizando (pelo menos um pouquinho) a olhar para o que está precisando ser cuidado...

Quão maravilhoso é o fato de que - por amor aos seus filhos - eles se propõe a olhar para essas feridas e sofrimentos, 
se propõem a revelar e desnudar aspectos de sua vida que talvez não fariam em outras circunstâncias...

Ah, queridos pais, se vocês soubessem que - ao fazer isso - estão contribuindo para criar um mundo melhor...

Afinal, a cada família, a cada criança, a cada ser humano, que se dispõe a cuidar de si, é favorecida a construção de um mundo com mais paz, mais equilíbrio e mais harmonia.


Ah se vocês soubessem o quanto os admiro...

Um abraço enorme, com muito, mas muito carinho a todos vocês...
Psicóloga Daniela Elias

💖💖💖💖💖💖💖💖💖💖💖


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2 comentários:

  1. Você é muito querida Daniela, o seu trabalho é realmente transformador.
    Eu quem te agradeço.

    😘

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    1. Obrigada minha linda! Eu me sinto privilegiada de poder fazer parte dessa transformação e crescer e aprender com vcs! ❤️✨🙏🏻✨❤️

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