quarta-feira, 5 de abril de 2017

Amor, amor, amor...

"O amor é um mistério. Está para além de 
qualquer tentativa de compreensão" 

(Cardella, 2009, p. 17).

Falar sobre o amor é propor-se uma tarefa hercúlea... Afinal, desde o início da história da humanidade, esse tema foi discutido por poetas, filósofos, pela literatura e todas as formas de arte, até mesmo (embora um pouco menos) pela ciência, e, ainda assim, permanece sendo um grande mistério e um grande chamado para cada um de nós...

Meu objetivo, então, não é definir, nem tentar explicar o amor, mas falar um pouco de como tem sido a minha experiência em relação o amor , vivida na clínica com os meus clientes e por eles...



O que é o amor?


Definitivamente uma pergunta difícil de responder...
Mas eu gosto do que Cardella (2009, p. 21) diz:

"São muitas as facetas do amor"

Por isso me vejo livre da necessidade de tentar defini-lo... 
Há muitas e muitas formas e maneiras diferentes de amar e cada uma delas constitui, inevitavelmente, uma dessas facetas.

Bom, eu acredito que amor tem a ver com reconhecimento e aceitação...

Uma vez que para amar algo ou alguém é preciso re-conhecer, 
afinal de contas, conhecer, apenas, não basta!

Re-conhecer alguém é conhecer novamente, 
por certas particularidades, que uma pessoa 
ou coisa é a mesma que noutro tempo foi conhecida 
(Dicionário Priberan, 2013). 

Afinal de contas, nós mudamos o tempo todo, somos formados e transformados por tudo o que acontece em nossa vida e, por isso mesmo, para amar e continuar amando, é preciso perceber e acompanhar esse eterno processo de transição...

Seu cônjuge, seu filho ou filha, amigo ou amiga, pai e mãe, certamente já não são mais as mesmas pessoas que eram quando você os conheceu pela primeiríssima vez, aliás você e eu também não! Isso não é um problema, é uma condição natural do ser humano... e é imprescindível, para que o amor subsista, que estejamos atentos à transformação da pessoa amada.

Afinal, se eu olho hoje para meu cônjuge e ainda vejo a pessoa 
que ele(a) era há dez anos atrás, provavelmente nos 
desencontramos em algum ponto nessa caminhada na vida.

Quando eu percebo isso acontecendo - no consultório - costumo pedir aos meus clientes que olhem novamente nos olhos da pessoa, que tentem perceber quem ela é hoje...

Peço-lhes para re-conhecer - conhecer novamente, atualizando seu olhar...




Acredito também que amor relaciona-se à aceitação...

Aceitação de si mesmo, em primeiro lugar! Afinal, o amor começa quando conhecemos a nós mesmos - o que somos, quem somos, nossos limites, nossas habilidades...

O amor nasce, brota, primeiro em mim, para que depois possa florescer em direção ao outro.

E, se não sou capaz de ser amoroso comigo mesmo, provavelmente não serei capaz de ter atitudes ou relações amorosas com o outro...


Assim, aceitar tem a ver primeiro comigo - com ter tolerância, respeito, acolhimento e carinho com a minha humanidade - o que eu sou, o que faço bem e o que eu tenho dificuldade, com meu caminho de crescimento pessoal, com aquilo que sou e com aquilo que ainda quero me tornar...

Para que depois eu possa fazer isso pelo outro...

No consultório, essa é minha busca diária com cada cliente... Que ele(a) possa olhar para dentro e ver a si mesmo com mais amor, com mais ternura, com mais gentileza...
Que possa viver essa jornada da vida mais em paz consigo mesmo.

"O amor por si mesmo envolve a aceitação incondicional do próprio ser, o que não significa a incapacidade de reconhecer-se limitado; ao contrário, é a capacidade de ver-se, ouvir-se, compreender-se e respeitar-se, e de ter atitudes amorosas também com as outras pessoas" 
(Cardella, 1994, p. 23).



Assim, entendo que o estado amoroso nos permite 
re-conhecer e aceitar:

Re-conhecer a pessoa amada - quem ela é, acompanhando a caminhada que ela trilha no seu próprio processo de crescimento e transformação e, assim, atualizar a cada passo o meu amor por ela e por quem ela está se tornando.


Aceitar que nós somos seres imperfeitos, repletos de luz e sombras, habilidades e dificuldades... Respeitar o ser único que ele(a) é e amá-lo por ser assim.


Entendo que independente da idade, sejamos adultos, crianças, idosos ou adolescentes, somos convocados a experimentar o amor todos os dias e, muitas vezes, esse é um grande desafio.

Às vezes sabemos amar mais e melhor os outros do que amamos a nós mesmos...
Mas se isso acontece, nossa fonte de amor está doente, pois só podemos dar aquilo que temos e, se não temos amor por nós mesmos, provavelmente o amor que temos para oferecer não esteja tão inteiro e nutritivo para o outro.

Se desejamos aprender a amar, precisamos primeiro amar a nós mesmos, nutrindo nossa própria fonte para que ela possa, depois, também alimentar outros.

Como você tem vivido o amor e suas relações amorosas?


💗💖💕💔💓💝💘


Referências:
Cardella, B. H. P. (1994). O amor na relação terapêutica: uma visão gestáltica. São Paulo: Summus.
Cardella, B. H. P. (2009). Laços e nós: amor e intimidade nas relações humanas. São Paulo: Ágora.

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